Quinta-feira, 27 de Fevereiro, 2020
Estudo

As doze estratégias para melhorar o negócio dos media

A receita proveniente dos leitores e os conteúdos pagos são as duas primeiras estratégias de crescimento referidas, numa lista de doze, pelo Relatório sobre “Inovação nos Media 2019-2020”, agora revelado pela FIPP – International Federation of Periodical Publishers. E a que aparece em terceiro lugar é, curiosamente, a da publicidade, que “não está morta”, mas subiu 7,2% em 2018  - a maior taxa de crescimento desde 2010.

Esta 10ª edição do Innovation in Media 2019-2020 World Report  foi apresentada a meio milhar de responsáveis pelos media de mais de 40 países, durante a Cimeira dos Inovadores Digitais, realizada em Berlim a 25 de Março.

O texto de síntese do documento, no site da FIPP, afirma que são estas “as doze melhores e mais comprovadas estratégias de negócio já usadas para aumentar fontes de receita” e que as actuais empresas de media “precisam de adoptar pelo menos três destes modelos de negócio para terem hipótese de ser bem sucedidas nesta indústria, no séc. XXI”.

O texto do estudo é de acesso gratuito aos membros da FIPP, podendo ser adquirido online por outros interessados. Na impossibilidade de citar o original, mencionamos aqui alguma da informação prestada. 

Cada um dos doze capítulos referidos cita exemplos concretos. John Wilpers, um dos dois autores do relatório, diz que a receita proveniente dos leitores é o grande “tema do dia”: 

Um dos grandes motivos para isto é que as pessoas estão cada vez mais disponíveis para pagarem bons conteúdos num mundo em que há uma proliferação de maus conteúdos espalhados pela Internet. 

“Há por aí tanto mau conteúdo que as pessoas estão, finalmente, desejosas de pagar por bom conteúdo. Seguros disto, os editores estão a sentir-se mais confiantes em vender o seu conteúdo.” 

Wilpers acrescenta que “os que tiveram êxito em converter o alcance [de audiência] em assinaturas pagas usaram várias estatégias para lá chegar, desde as newsletters regulares, cobrindo temas ‘de nicho’, oferta de assinaturas personalizadas e apontando a grupos de afinidade, no Facebook e na Google, com posts pagos e palavras-passe de busca pagas”. 

O seu exemplo é The New Yorker, “onde a receita dos leitores já ultrapassa a da publicidade, em 65% contra 35%”. 

O que ele descreve como “a cereja em cima do bolo” é o facto de “os editores terem compreendido que o crescimento das assinaturas está a trazer novas receitas da publicidade, porque o crescimento da circulação paga é um argumento de venda para as marcas”. 

Outra revelação do estudo foi a de que a flexibilidade nas paywalls “teve o maior sucesso na conversão do alcance dos conteúdos para assinaturas”. Os editores aprenderam que não é verdade que “o mesmo formato sirva para tudo”. 

O exemplo citado é o do Neue Zürcher Zeitung, um diário suíço de língua alemã, de Zurique, que personalizou a paywall  em função de 150 variáveis, derivadas de análise de dados, incluindo a frequência de visitas e machine learning, entre outras. 

“Esta estratégia de paywall flexível  - agora conhecida como ‘portagens’ -  aumentou a conversão de alcance para assinaturas em cinco vezes mais, ao longo de três anos. O site do NNZ tem quase 600 mil utentes registados, um aumento de mais de 40 por cento desde 2017, acrescentando entre dez mil e vinte mil utentes por mês.” (...) 

O segundo dos autores citados, Andrew Rolf, afirma que “os editores começam a compreender que a melhor forma de combaterem o assim chamado ‘duopólio’ é oferecerem algo que estes ‘enormes gigantes tecnológicos’ não podem oferecer  - competência editorial.” (...)

 

Mais informação no site da FIPP  e em Innovation.Media

Connosco
"Boston Globe" aceitou alargar licença familiar para jornalistas Ver galeria

O mundo profissional está mais competitivo e, não poucas vezes, coloca barreiras àqueles que pretendam conjugar a vida familiar com a profissional. A licenças de maternidade e paternidade são reduzidas e os profissionais vêem-se, por vezes, obrigados a abdicar da carreira para poderem acompanhar o crescimento dos filhos.

Este panorama não é estranho aos jornalistas dos “Boston Globe” que, durante dois anos, lutaram para que a licença paga se estendesse além das seis semanas. Depois, à semelhança do que acontece em muitos outros grupos de imprensa, a licença não era aplicada de forma igualitária entre pais, mães e parentes adoptivos. 

O projecto arrancou no Verão de 2017, quando um grupo de jornalistas começou a procurar aliados. No início do Outono desse ano, o “Comité da Licença”, já tinha contactado 300 funcionários do Grupo detentor do “Boston”.

Plataforma promove "relação analógica" com os leitores Ver galeria

O livro “1984”, de George Orwell, foi publicado em 1949, mas está mais actual do que nunca. A ideia de que um “big brother” nos vigia é, agora, muito real, com plataformas “online” a desenvolverem algoritmos intrusivos, que recolhem dados sobre as preferências dos leitores, sem o seu consentimento.  


Foi com o ideal da privacidade em mente que os jornalistas Julia Angwin e Jeff Larson criaram a “Markup”, uma redacção sem fins lucrativos que investiga o uso da tecnologia para promover mudanças na sociedade.


No seu estatuto editorial, a publicação comprometeu-se a lutar pela privacidade aos leitores, garantido uma recolha mínima de informações pessoais, que serão mantidas em sigilo. As investigações dependem, de igual forma, de doações de informação, que permitem construir bases de dados de forma ética. O “Markup” quer, acima de tudo, criar uma relação “analógica” com os seus visitantes, numa época em que o contacto entre repórteres e leitores se estabelece digitalmente.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...