Terça-feira, 14 de Julho, 2020
Estudo

As doze estratégias para melhorar o negócio dos media

A receita proveniente dos leitores e os conteúdos pagos são as duas primeiras estratégias de crescimento referidas, numa lista de doze, pelo Relatório sobre “Inovação nos Media 2019-2020”, agora revelado pela FIPP – International Federation of Periodical Publishers. E a que aparece em terceiro lugar é, curiosamente, a da publicidade, que “não está morta”, mas subiu 7,2% em 2018  - a maior taxa de crescimento desde 2010.

Esta 10ª edição do Innovation in Media 2019-2020 World Report  foi apresentada a meio milhar de responsáveis pelos media de mais de 40 países, durante a Cimeira dos Inovadores Digitais, realizada em Berlim a 25 de Março.

O texto de síntese do documento, no site da FIPP, afirma que são estas “as doze melhores e mais comprovadas estratégias de negócio já usadas para aumentar fontes de receita” e que as actuais empresas de media “precisam de adoptar pelo menos três destes modelos de negócio para terem hipótese de ser bem sucedidas nesta indústria, no séc. XXI”.

O texto do estudo é de acesso gratuito aos membros da FIPP, podendo ser adquirido online por outros interessados. Na impossibilidade de citar o original, mencionamos aqui alguma da informação prestada. 

Cada um dos doze capítulos referidos cita exemplos concretos. John Wilpers, um dos dois autores do relatório, diz que a receita proveniente dos leitores é o grande “tema do dia”: 

Um dos grandes motivos para isto é que as pessoas estão cada vez mais disponíveis para pagarem bons conteúdos num mundo em que há uma proliferação de maus conteúdos espalhados pela Internet. 

“Há por aí tanto mau conteúdo que as pessoas estão, finalmente, desejosas de pagar por bom conteúdo. Seguros disto, os editores estão a sentir-se mais confiantes em vender o seu conteúdo.” 

Wilpers acrescenta que “os que tiveram êxito em converter o alcance [de audiência] em assinaturas pagas usaram várias estatégias para lá chegar, desde as newsletters regulares, cobrindo temas ‘de nicho’, oferta de assinaturas personalizadas e apontando a grupos de afinidade, no Facebook e na Google, com posts pagos e palavras-passe de busca pagas”. 

O seu exemplo é The New Yorker, “onde a receita dos leitores já ultrapassa a da publicidade, em 65% contra 35%”. 

O que ele descreve como “a cereja em cima do bolo” é o facto de “os editores terem compreendido que o crescimento das assinaturas está a trazer novas receitas da publicidade, porque o crescimento da circulação paga é um argumento de venda para as marcas”. 

Outra revelação do estudo foi a de que a flexibilidade nas paywalls “teve o maior sucesso na conversão do alcance dos conteúdos para assinaturas”. Os editores aprenderam que não é verdade que “o mesmo formato sirva para tudo”. 

O exemplo citado é o do Neue Zürcher Zeitung, um diário suíço de língua alemã, de Zurique, que personalizou a paywall  em função de 150 variáveis, derivadas de análise de dados, incluindo a frequência de visitas e machine learning, entre outras. 

“Esta estratégia de paywall flexível  - agora conhecida como ‘portagens’ -  aumentou a conversão de alcance para assinaturas em cinco vezes mais, ao longo de três anos. O site do NNZ tem quase 600 mil utentes registados, um aumento de mais de 40 por cento desde 2017, acrescentando entre dez mil e vinte mil utentes por mês.” (...) 

O segundo dos autores citados, Andrew Rolf, afirma que “os editores começam a compreender que a melhor forma de combaterem o assim chamado ‘duopólio’ é oferecerem algo que estes ‘enormes gigantes tecnológicos’ não podem oferecer  - competência editorial.” (...)

 

Mais informação no site da FIPP  e em Innovation.Media

Connosco
Quando há códigos éticos associados ao jornalismo Ver galeria

O jornalismo está em constante mudança e, como tal, os códigos éticos associados à profissão deve ser actualizados, em permanência.


Há, contudo, alguns elementos que se vão mantendo, mais ou menos, constantes, como as ideologias associadas aos jornais.

Confrontado com este cenário, Pedro Pablo Bermúdez, um estudante colombiano de jornalismo, decidiu questionar os colaboradores da Fundación Gabo quanto à sua opinião sobre os posicionamentos políticos da imprensa e dos jornalistas.

Feita a consulta, alguns jornalistas da Fundação exprimiram os seus pontos de vista.

Assim, para a jornalista Mónica González, a isenção da imprensa é uma utopia. Assim, os jornais devem tentar ser o mais transparentes possível sobre a sua posição ideológica, para que os leitores consigam distinguir uma notícia de uma falácia construída em detrimento da oposição.

Da mesma forma, as empresas mediáticas deverão revelar quais as suas fontes de financiamento e o nome dos seus investidores.


Jornalismo de risco para bem informar sobre saúde Ver galeria

O jornalismo de saúde é, por enquanto, uma tendência editorial em desenvolvimento, na qual figuram títulos alarmistas e onde a informação é desenvolvida de forma deficiente, defendeu o professor Josu Mezu num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com o autor, deparamo-nos, quase diariamente,  com notícias relativas a comportamentos, dispositivos, substâncias e alimentos que nos podem ajudar a evitar doenças, ou que podem favorecê-las. 

Por norma, é-nos indicado que "dormir mais de oito horas aumenta o risco de doença cardiovascular", que "comer cogumelos reduz o risco de cancro da próstata", que "usar um cinto de segurança reduz para metade o risco de morte em acidentes", ou que "o ácido fólico reduz o risco de AVCs e de ataque cardíacos".

É natural, reiterou o autor, que um leitor “superficial” fique com a impressão de que tudo o que faz, ou come, causa ou previne qualquer doença.

Mas, mais preocupante, é o facto de nem os consumidores mais atentos conseguirem encontrar informações, suficientemente, claras para identificarem possíveis comportamentos de risco.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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A internet e a liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
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À medida que a pandemia parece mais controlada e o regresso ao trabalho se faz, conforme as regras de desconfinamento gradual, instalou-se uma “guerra mediática” de contornos invulgares, favorecida pela trapalhada da distribuição de apoios anunciados pelo governo, supostamente,  através da compra antecipada de espaço para publicidade institucional. Primeiro assistiu-se a uma “guerra “ privada, entre a Cofina e o...
Numa era digital, marcada por uma constante e acelerada mudança, caracterizada por um globalismo padronizador de culturas e de costumes, muitas indústrias e profissões estão a alterar-se totalmente, ou até mesmo a desaparecer. Tudo isto se passa num ritmo freneticamente acelerado, que nos afoga literalmente num caudal de informação, muitas vezes difícil de filtrar e descodificar em tempo útil. A evolução...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo