Terça-feira, 20 de Agosto, 2019
Media

Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.

Em termos de alteração dos lugares ocupados na escala, os Repórteres sem Fronteiras destacam o progresso da Etiópia, que subiu 40 lugares para 110º, e da Gâmbia, que avançou 30 lugares para 92º. No outro extremo, o Turquemenistão, cujo regime não deixou de reforçar o controlo da Imprensa e continua a perseguir os últimos correspondentes clandestinos da comunicação social no exílio, retirou a última posição à Coreia do Norte. 

Segundo o texto do relatório, “os Estados Unidos [em 48º lugar], onde um clima cada vez mais hostil se instalou na esteira da postura do Presidente Donald Trump frente aos meios de comunicação, perderam três posições em 2019 e caíram na zona laranja, onde se situam os países considerados problemáticos para o exercício do jornalismo. Os jornalistas americanos nunca haviam sido alvo de tantas ameaças de morte. Tampouco haviam recorrido a empresas privadas para garantir a sua segurança”. (...) 

“Este ano, a América do Norte e do Sul registou a maior degradação do indicador regional (+ 3,6%). Esse mau resultado não se deve apenas aos casos dos Estados Unidos, do Brasil ou da Venezuela. A Nicarágua (114º), que perde 24 posições, sofreu uma das quedas mais significativas em 2019. Os jornalistas nicaraguenses que cobrem os protestos anti-governo de Ortega, vistos como oponentes, são frequentemente agredidos. Muitos deles foram forçados ao exílio para escapar de ameaças e acusações descabidas de envolvimento com o terrorismo.” 

“O continente abriga também um dos países mais mortais do mundo para a profissão, o México, onde pelo menos 10 jornalistas foram assassinados em 2018.” (...) 

“A União Europeia e os Balcãs registaram a segunda maior deterioração do indicador regional (+ 1,7%). Nessa região  - que continua sendo a que melhor garante a liberdade de Imprensa e onde, em princípio, o exercício da profissão é o mais seguro -  os jornalistas enfrentam hoje ameaças cada vez mais graves: assassinatos em Malta, na Eslováquia e na Bulgária (111º), ataques verbais e físicos, particularmente na Sérvia ou em Montenegro (104º, -1), ou um nível inédito de violência durante as manifestações dos ‘coletes amarelos’ na França (32º, +1)  - a tal ponto que muitas equipas de TV não ousam exibir o seu logo nem cobrir manifestações sem serem acompanhadas por guarda-costas.” (...)  

“A perseguição de jornalistas que interferem com os poderes estabelecidos parece não ter limite. O sórdido assassinato do editorialista saudita Jamal Khashoggi, cometido a sangue frio no consulado da Turquia em Outubro passado, enviou uma mensagem assustadora aos repórteres muito além das fronteiras do reino da Arábia Saudita (172º, -3). Por medo de perder a vida, muitos jornalistas da região praticam a autocensura ou simplesmente abandonam a profissão.” (...)


Mais informação no Observador.  O relatório em português, com o texto introdutório,  as análises por região  e o ranking ordenado de todos os países.
Um comentário preocupante na CNN.


Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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