null, 26 de Maio, 2019
Media

Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.

Em termos de alteração dos lugares ocupados na escala, os Repórteres sem Fronteiras destacam o progresso da Etiópia, que subiu 40 lugares para 110º, e da Gâmbia, que avançou 30 lugares para 92º. No outro extremo, o Turquemenistão, cujo regime não deixou de reforçar o controlo da Imprensa e continua a perseguir os últimos correspondentes clandestinos da comunicação social no exílio, retirou a última posição à Coreia do Norte. 

Segundo o texto do relatório, “os Estados Unidos [em 48º lugar], onde um clima cada vez mais hostil se instalou na esteira da postura do Presidente Donald Trump frente aos meios de comunicação, perderam três posições em 2019 e caíram na zona laranja, onde se situam os países considerados problemáticos para o exercício do jornalismo. Os jornalistas americanos nunca haviam sido alvo de tantas ameaças de morte. Tampouco haviam recorrido a empresas privadas para garantir a sua segurança”. (...) 

“Este ano, a América do Norte e do Sul registou a maior degradação do indicador regional (+ 3,6%). Esse mau resultado não se deve apenas aos casos dos Estados Unidos, do Brasil ou da Venezuela. A Nicarágua (114º), que perde 24 posições, sofreu uma das quedas mais significativas em 2019. Os jornalistas nicaraguenses que cobrem os protestos anti-governo de Ortega, vistos como oponentes, são frequentemente agredidos. Muitos deles foram forçados ao exílio para escapar de ameaças e acusações descabidas de envolvimento com o terrorismo.” 

“O continente abriga também um dos países mais mortais do mundo para a profissão, o México, onde pelo menos 10 jornalistas foram assassinados em 2018.” (...) 

“A União Europeia e os Balcãs registaram a segunda maior deterioração do indicador regional (+ 1,7%). Nessa região  - que continua sendo a que melhor garante a liberdade de Imprensa e onde, em princípio, o exercício da profissão é o mais seguro -  os jornalistas enfrentam hoje ameaças cada vez mais graves: assassinatos em Malta, na Eslováquia e na Bulgária (111º), ataques verbais e físicos, particularmente na Sérvia ou em Montenegro (104º, -1), ou um nível inédito de violência durante as manifestações dos ‘coletes amarelos’ na França (32º, +1)  - a tal ponto que muitas equipas de TV não ousam exibir o seu logo nem cobrir manifestações sem serem acompanhadas por guarda-costas.” (...)  

“A perseguição de jornalistas que interferem com os poderes estabelecidos parece não ter limite. O sórdido assassinato do editorialista saudita Jamal Khashoggi, cometido a sangue frio no consulado da Turquia em Outubro passado, enviou uma mensagem assustadora aos repórteres muito além das fronteiras do reino da Arábia Saudita (172º, -3). Por medo de perder a vida, muitos jornalistas da região praticam a autocensura ou simplesmente abandonam a profissão.” (...)


Mais informação no Observador.  O relatório em português, com o texto introdutório,  as análises por região  e o ranking ordenado de todos os países.
Um comentário preocupante na CNN.


Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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