null, 26 de Maio, 2019
Fórum

Quando os Media apostam nas vendas "online" como negócio

Vários grandes editores, como os grupos Meredith e Hearst, dos EUA, ou as revistas Future e New York, estão a apostar em secções de análise, provas e recomendações sobre toda a espécie de produtos, associadas à possibilidade de serem adquiridos por compra online. Curiosamente, dos doze modelos propostos como de sucesso comprovado, no relatório mundial Innovation in Media 2019-2020, da FIPP, o segundo (logo a seguir às assinaturas) tem a ver com os conteúdos patrocinados.

É irónico que isto suceda num tempo em que, precisamente, alguns dos jornais de maior prestígio e dimensão estejam a valorizar, com bons resultados, a adesão de leitores contribuintes.

Mas “a combinação de um aconselhamento honesto e imparcial e a possibilidade de compra dos produtos recomendados de modo simples está a dar crescentes resultados positivos”.

A reflexão é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics.

A secção The Strategist, da revista New York, lançada em Novembro de 2016, tem uma equipa de editores a produzirem três artigos por dia, que são publicados nos vários sites de The New York Magazine. Estes editores deixam-se conduzir, com frequência, por produtos que são procurados pelo público, fazem a sua análise e publicam recomendações. As receitas da editora, por esta secção de vendas, triplicaram de 2017 para 2018. 

A Meredith, por exemplo, tem muito êxito com a venda de produtos de alimentação baseados em receitas publicadas nos seus sites. No ano passado, associou-se com a eMeals, uma aplicação que planifica e oferece menus seleccionados. O público pode guardar receitas e gerar automaticamente listas de compras semanais com os respectivos ingredientes. (...) 

Também a Hearst tem uma equipa de estudos e recomendações de produtos que colabora com vários dos títulos do Grupo, para experimentar e recomendar ideias de produtos. 

A revista Future tem uma carteira de 50 marcas em electrónica de consumo, música e fotografia, com comércio electrónico associado. 

“É cada vez mais evidente”  - acrescenta o autor -  “que os editores de prestígio têm uma vantagem sensível sobre as marcas, na hora de analizar e recomendar produtos.” 

O comércio electrónico está a disparar por todo o lado. Segundo a eMarketer, “as vendas por eCommerce representaram, no ano passado, 10,2% das vendas mundiais a retalho e prevê-se que cheguem aos 17,2% em 2021”. 

Outro relatório, da Javelin Strategy & Research, calcula que “o eCommerce por meio dos dispositivos móveis vai crescer até aos 319 mil milhões de dólares em 2020, representando então 49% do comércio total electrónico, comparando com os 29% de 2015”. 

O autor termina remetendo para um artigo do jornalista Simon Owens sobre a posição da Amazon nesta matéria, e o interesse que suscita junto de alguns editores.

 

O artigo do editor da Media-tics. Mais informação sobre a Amazon, bem como sobre o relatório Innovation in Media 2019-2020.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
A celebração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa  constitui o pretexto e o convite para uma reflexão que não nos exclui. Com os jornais em contínua degradação de vendas em banca, obrigando  já a soluções extremas  - como se verificou com o centenário  “Diário de Noticias”, que passou a ser semanário, embora sem inverter o plano inclinado -,  a apatia...
A Google trouxe a Lisboa Mark Howe, um veterano da publicidade no Reino Unido. Actualmente responsável da Google pela relação com as agências de meios na Europa, Mark Howe contou uma história que mostra bem a importância de as marcas comunicarem de forma continuada – mesmo que o objectivo não seja as vendas imediatamente. A situação passou-se no Reino Unido e nos EUA durante a II Grande Guerra. Por iniciativa dos governos foi...
Agenda
27
Mai
DW Global Media Forum
09:00 @ Bona, Alemanha
02
Jun
"The Children’s Media Conference"
11:00 @ Sheffield, Reino Unido
14
Jun
14
Jun
21
Jun
Social Media Day: Halifax
09:00 @ Halifax, Nova Escócia, Canadá