Terça-feira, 14 de Julho, 2020
Opinião

Novidades, Tendências & Curiosidades Digitais

por Manuel Falcão

Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital patrocinado deverão triplicar até 2021 e as previsões do mercado internacional apontam para uma subida progressiva e constante dos preços da publicidade em meios digitais nos próximos anos. Vale a pena conhecer algumas das principais conclusões do relatório referido. Em primeiro lugar, a plataforma preferida para trabalhar conteúdos: 55% dos inquiridos declarou utilizar e preferir a plataforma WordPress.

Em segundo lugar os publishers digitais consideram que a diversificação das receitas é o único caminho possível para garantir que o negócio seja saudável. Foram referidas cinco estratégias principais de monetização: 79% dos publishers obtêm receitas da publicidade nas suas propriedades digitais. Mas outras fontes de receita incluem a indicação de links afiliados (30%), vendas de assinaturas (22%), branded content e publicidade nativa (18%) e eventos fora do ambiente digital (12%). As newsletters e os emails continuam a ser a forma mais popular de os publishers contactarem o seu público e aumentarem o tráfego nos seus sites e são utilizados por 80% dos inquiridos. A presença em social media faz o pleno – é universal, todos a têm, pelo menos numa plataforma, frequentemente em mais do que uma. Outro dado a ter em conta é que existe uma correlação acentuada entre a frequência da publicalção de conteúdos novos e o tráfego obtido. Enquanto os modelos de negócio e a forma de elaboração e utilização de contéudos varia, a verdade é que o ponto comum é que a grande maioria dos publishers com bons resultados produz e disponibiliza grandes quantidades de novos conteúdos a um ritmo semanal. Finalmente a maior parte dos publishers permite acesso ao seu arquivo como forma de prolongar a permanência no site e oferecer maior possibilidade de exposição da publicidade dos seus anunciantes.

 

Para aligeirar termino com um outro estudo, levado a cabo pelo Flipboard e que estuda a correlação entre os conteúdos consumidos pelos seus 145 milhões de utilizadores e que permitirá a algumas marcas encarar a segmentação à luz de nova informação. Assim, por exemplo, 79% das pessoas que lêem sobre sapatos de desporto também se interessam por artigos sobre negócios e economia, o que ultrapassa os 70% que procuram informação sobre festivais musicais e que também querem saber de noticiário económico. Outras curiosidades: 59% de pessoas que procuram artigos sobre animais domésticos também procuram informação sobre política e 52% das pessoas que pesquisam artigos sobre nutrição querem ler artigos sobre marketing.

Connosco
Quando há códigos éticos associados ao jornalismo Ver galeria

O jornalismo está em constante mudança e, como tal, os códigos éticos associados à profissão deve ser actualizados, em permanência.


Há, contudo, alguns elementos que se vão mantendo, mais ou menos, constantes, como as ideologias associadas aos jornais.

Confrontado com este cenário, Pedro Pablo Bermúdez, um estudante colombiano de jornalismo, decidiu questionar os colaboradores da Fundación Gabo quanto à sua opinião sobre os posicionamentos políticos da imprensa e dos jornalistas.

Feita a consulta, alguns jornalistas da Fundação exprimiram os seus pontos de vista.

Assim, para a jornalista Mónica González, a isenção da imprensa é uma utopia. Assim, os jornais devem tentar ser o mais transparentes possível sobre a sua posição ideológica, para que os leitores consigam distinguir uma notícia de uma falácia construída em detrimento da oposição.

Da mesma forma, as empresas mediáticas deverão revelar quais as suas fontes de financiamento e o nome dos seus investidores.


Jornalismo de risco para bem informar sobre saúde Ver galeria

O jornalismo de saúde é, por enquanto, uma tendência editorial em desenvolvimento, na qual figuram títulos alarmistas e onde a informação é desenvolvida de forma deficiente, defendeu o professor Josu Mezu num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com o autor, deparamo-nos, quase diariamente,  com notícias relativas a comportamentos, dispositivos, substâncias e alimentos que nos podem ajudar a evitar doenças, ou que podem favorecê-las. 

Por norma, é-nos indicado que "dormir mais de oito horas aumenta o risco de doença cardiovascular", que "comer cogumelos reduz o risco de cancro da próstata", que "usar um cinto de segurança reduz para metade o risco de morte em acidentes", ou que "o ácido fólico reduz o risco de AVCs e de ataque cardíacos".

É natural, reiterou o autor, que um leitor “superficial” fique com a impressão de que tudo o que faz, ou come, causa ou previne qualquer doença.

Mas, mais preocupante, é o facto de nem os consumidores mais atentos conseguirem encontrar informações, suficientemente, claras para identificarem possíveis comportamentos de risco.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo