Quinta-feira, 27 de Fevereiro, 2020
Opinião

Novidades, Tendências & Curiosidades Digitais

por Manuel Falcão

Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital patrocinado deverão triplicar até 2021 e as previsões do mercado internacional apontam para uma subida progressiva e constante dos preços da publicidade em meios digitais nos próximos anos. Vale a pena conhecer algumas das principais conclusões do relatório referido. Em primeiro lugar, a plataforma preferida para trabalhar conteúdos: 55% dos inquiridos declarou utilizar e preferir a plataforma WordPress.

Em segundo lugar os publishers digitais consideram que a diversificação das receitas é o único caminho possível para garantir que o negócio seja saudável. Foram referidas cinco estratégias principais de monetização: 79% dos publishers obtêm receitas da publicidade nas suas propriedades digitais. Mas outras fontes de receita incluem a indicação de links afiliados (30%), vendas de assinaturas (22%), branded content e publicidade nativa (18%) e eventos fora do ambiente digital (12%). As newsletters e os emails continuam a ser a forma mais popular de os publishers contactarem o seu público e aumentarem o tráfego nos seus sites e são utilizados por 80% dos inquiridos. A presença em social media faz o pleno – é universal, todos a têm, pelo menos numa plataforma, frequentemente em mais do que uma. Outro dado a ter em conta é que existe uma correlação acentuada entre a frequência da publicalção de conteúdos novos e o tráfego obtido. Enquanto os modelos de negócio e a forma de elaboração e utilização de contéudos varia, a verdade é que o ponto comum é que a grande maioria dos publishers com bons resultados produz e disponibiliza grandes quantidades de novos conteúdos a um ritmo semanal. Finalmente a maior parte dos publishers permite acesso ao seu arquivo como forma de prolongar a permanência no site e oferecer maior possibilidade de exposição da publicidade dos seus anunciantes.

 

Para aligeirar termino com um outro estudo, levado a cabo pelo Flipboard e que estuda a correlação entre os conteúdos consumidos pelos seus 145 milhões de utilizadores e que permitirá a algumas marcas encarar a segmentação à luz de nova informação. Assim, por exemplo, 79% das pessoas que lêem sobre sapatos de desporto também se interessam por artigos sobre negócios e economia, o que ultrapassa os 70% que procuram informação sobre festivais musicais e que também querem saber de noticiário económico. Outras curiosidades: 59% de pessoas que procuram artigos sobre animais domésticos também procuram informação sobre política e 52% das pessoas que pesquisam artigos sobre nutrição querem ler artigos sobre marketing.

Connosco
"Boston Globe" aceitou alargar licença familiar para jornalistas Ver galeria

O mundo profissional está mais competitivo e, não poucas vezes, coloca barreiras àqueles que pretendam conjugar a vida familiar com a profissional. A licenças de maternidade e paternidade são reduzidas e os profissionais vêem-se, por vezes, obrigados a abdicar da carreira para poderem acompanhar o crescimento dos filhos.

Este panorama não é estranho aos jornalistas dos “Boston Globe” que, durante dois anos, lutaram para que a licença paga se estendesse além das seis semanas. Depois, à semelhança do que acontece em muitos outros grupos de imprensa, a licença não era aplicada de forma igualitária entre pais, mães e parentes adoptivos. 

O projecto arrancou no Verão de 2017, quando um grupo de jornalistas começou a procurar aliados. No início do Outono desse ano, o “Comité da Licença”, já tinha contactado 300 funcionários do Grupo detentor do “Boston”.

Plataforma promove "relação analógica" com os leitores Ver galeria

O livro “1984”, de George Orwell, foi publicado em 1949, mas está mais actual do que nunca. A ideia de que um “big brother” nos vigia é, agora, muito real, com plataformas “online” a desenvolverem algoritmos intrusivos, que recolhem dados sobre as preferências dos leitores, sem o seu consentimento.  


Foi com o ideal da privacidade em mente que os jornalistas Julia Angwin e Jeff Larson criaram a “Markup”, uma redacção sem fins lucrativos que investiga o uso da tecnologia para promover mudanças na sociedade.


No seu estatuto editorial, a publicação comprometeu-se a lutar pela privacidade aos leitores, garantido uma recolha mínima de informações pessoais, que serão mantidas em sigilo. As investigações dependem, de igual forma, de doações de informação, que permitem construir bases de dados de forma ética. O “Markup” quer, acima de tudo, criar uma relação “analógica” com os seus visitantes, numa época em que o contacto entre repórteres e leitores se estabelece digitalmente.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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