Terça-feira, 14 de Julho, 2020
Opinião

O descalabro da Global Media

por Dinis de Abreu

O descalabro do Grupo Global Media era uma questão de tempo. Alienada a sede patrimonial do Diário de Notícias  - o histórico edifício projectado por Pardal Monteiro, no topo da avenida da Liberdade, entregue sem preconceitos à gula imobiliária, perante a indiferença do Municipio e do Governo  - o plano inclinado ficou à vista.
Se ao centenário DN foi destinado um comodato  nas Torres Lisboa,  ao Jornal de Notícias cabe uma garagem como destino, enquanto a sua  sede emblemática, numa zona nobre do Porto, mudou de mãos,  na mesma lógica de “vender os anéis para salvar os dedos”...

O colapso já admitido por responsáveis da administração do Grupo, com um despedimento colectivo no horizonte -  por não haver sequer dinheiro para montar um programa de rescisões  amigáveis -, faz prever o pior.

Os dois títulos, que já foram de referência, são as mais recentes vítimas de um acumular de erros sucessivos, envolvendo – há que escrevê-lo com frontalidade  – tanto  administrações  como  direcções editoriais. 

O DN, reconvertido em semanário, é um fantasma do jornal de prestígio que marcou gerações e influenciou a agenda de governos ao longo de século e meio de publicação. 

Tem uma circulação irrisória em papel, e não conseguiu fixar assinantes no digital. Tornou-se numa triste  irrelevância que não vai longe, com a agravante de correrem rumores sobre o desbaratamento do seu arquivo histórico, o que,  a confirmar-se seria  um crime de lesa- Cultura.

Já o JN , embora com perdas significativas de leitores na sua edição em papel,  tem resistido no digital. Porém,  tal como o DN,  perdeu influência , e a mesma gula imobiliária também não o poupou.


Em ambos os casos , o actual chairman do Grupo, Daniel Proença de Carvalho,  não tem motivos para se orgulhar. Advogado com uma carreira invejável  - alavancada pelo  processo de António Champalimaud - , há muito que se interessa pela Comunicação Social , desde a televisão à imprensa.

Fica com o nome manchado e ligado ao naufrágio de um Grupo que não fundou,  mas que não soube evitar que se afundasse . Uma tristeza.


A crise declarada da Global Média, que engloba ainda a TSF , em rota descendente -  agora  com a Radio Observador, mais ágil e aberta,  a disputar-lhe a vocação  matricial de “rádio de informação” -,funciona como uma espécie de antecâmara do desmantelamento a prazo.

 
Os media portugueses não estão a viver os melhores dias. O DN  primeiro, e o JN a seguir, são o pré-aviso de um  futuro comprometido. Haja quem perceba que,  sem jornalismo qualificado  e independente, é a própria democracia que fica em causa.  

Connosco
Quando há códigos éticos associados ao jornalismo Ver galeria

O jornalismo está em constante mudança e, como tal, os códigos éticos associados à profissão deve ser actualizados, em permanência.


Há, contudo, alguns elementos que se vão mantendo, mais ou menos, constantes, como as ideologias associadas aos jornais.

Confrontado com este cenário, Pedro Pablo Bermúdez, um estudante colombiano de jornalismo, decidiu questionar os colaboradores da Fundación Gabo quanto à sua opinião sobre os posicionamentos políticos da imprensa e dos jornalistas.

Feita a consulta, alguns jornalistas da Fundação exprimiram os seus pontos de vista.

Assim, para a jornalista Mónica González, a isenção da imprensa é uma utopia. Assim, os jornais devem tentar ser o mais transparentes possível sobre a sua posição ideológica, para que os leitores consigam distinguir uma notícia de uma falácia construída em detrimento da oposição.

Da mesma forma, as empresas mediáticas deverão revelar quais as suas fontes de financiamento e o nome dos seus investidores.


Jornalismo de risco para bem informar sobre saúde Ver galeria

O jornalismo de saúde é, por enquanto, uma tendência editorial em desenvolvimento, na qual figuram títulos alarmistas e onde a informação é desenvolvida de forma deficiente, defendeu o professor Josu Mezu num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com o autor, deparamo-nos, quase diariamente,  com notícias relativas a comportamentos, dispositivos, substâncias e alimentos que nos podem ajudar a evitar doenças, ou que podem favorecê-las. 

Por norma, é-nos indicado que "dormir mais de oito horas aumenta o risco de doença cardiovascular", que "comer cogumelos reduz o risco de cancro da próstata", que "usar um cinto de segurança reduz para metade o risco de morte em acidentes", ou que "o ácido fólico reduz o risco de AVCs e de ataque cardíacos".

É natural, reiterou o autor, que um leitor “superficial” fique com a impressão de que tudo o que faz, ou come, causa ou previne qualquer doença.

Mas, mais preocupante, é o facto de nem os consumidores mais atentos conseguirem encontrar informações, suficientemente, claras para identificarem possíveis comportamentos de risco.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo