Sábado, 16 de Novembro, 2019
Opinião

O regresso do “jornalismo de causas”

por Dinis de Abreu

O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar numa conferência do clima;  a   desmatação da Amazónia, que, embora praticada, sistematicamente,  há muitos anos,  só agora  atraiu as atenções do G7 e  da  imprensa internacional grada; a “ideologia do género”, que assentou arraiais impulsionada pelos movimentos “gay”, com acesso privilegiado  a muitos media, incluindo os portugueses; ou o  “populismo”, perigo  invariavelmente  associado  ao radicalismo da direita, mas que a extrema esquerda não despreza e cultiva a bel-prazer.

Outro tema que costuma invadir   a Imprensa e os audiovisuais é o das “migrações”. Mas tal, como os anteriores, obedecem a um  tratamento editorial distinto consoante  as  circunstâncias.

Se se trata de barcos encontrados no Mediterrâneo à deriva (ou quase), carregados de gente transportada em condições deploráveis -  vítimas do engodo de traficantes e da miséria sem esperança nos países de origem -,  os media contribuem – e bem – para um movimento de solidariedade e de acolhimento .

Mas se estão em causa quase quatro  milhões de venezuelanos, que deixaram o país em desespero -   desde 2015 até meados  deste ano -, empurrados por um regime que arruinou um país dono de importantes reservas de  petróleo, a reacção da mesma grande Imprensa internacional  perde  fulgor e fica  surpreendentemente  parcimoniosa .

Donde se conclui que o “jornalismo de causas”  faz as suas opções e que a avaliação  da importância da mesma realidade pode depender da latitude, do credo e da oportunidade política para obter   eco mediático.

Empolar ou silenciar um acontecimento, segundo uma determinada conjuntura, óptica ou conveniência de grupo ou de capela, passou  a ser o filtro usado por numerosos  media, que abandonaram  a  factualidade e gerem  dependências.  Um triste sinal dos tempos.

Connosco
Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo Ver galeria

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

O “LeKiosk” muda para “Cafeyn” e alarga oferta a assinantes Ver galeria

O serviço de notícias LeKiosk mudou de nome para Cafeyn e passou a apresentar-se como um serviço de streaming de informações. O quiosque digital permite a consulta de mais de mil títulos de imprensa francesa e internacional por 9,99 euros por mês.

A mudança de nome e de visual têm como objectivo atrair um público mais numeroso e fazer frente à Apple News+.

De salientar que a alteração da designação é, também, explicada por uma batalha jurídica, iniciada em 2012, entre LeKiosk Monkiosque.fr, publicada pelo Grupo Toutabo.

O departamento de propriedade intelectual da União Europeia decidiu, em Março, que havia um risco de confusão para o público, e que a Toutabo tinha registado a sua marca antes da LeKiosk.

Cafeyn tem, atualmente, cerca de um milhão de utilizadores activos por mês, em comparação com os 200 mil em 2017, que lêem uma média de 15 revistas diferentes. A maior parte destes assinantes foram obtidos através de operadores de telecomunicações, como a Bouygues Telecom e a Free, que oferecem o acesso a alguns dos seus clientes.

Isto permitiu à empresa aumentar o seu volume de negócios, que quintuplicou em três anos.

Em breve deverão ser anunciadas parcerias internacionais.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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10:00 @ Teatro Tivoli
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