Quinta-feira, 11 de Agosto, 2022
Media

Como um jornalista pode utilizar o “Twitter” de forma ética e responsável

Twitter é das redes sociais mais utilizadas entre os jornalistas. Quando surgem notícias de última hora, o Twitter pode ser utilizado para partilhar e reunir informação. Mas, como todas as plataformas de redes sociais, também permite que a informação seja distorcida, mal interpretada ou utilizada de forma inadequada. Dada a crescente utilização do Twitter, quer pelos jornalistas quer pelas redações, é importante repensar a forma como este é utilizado. Apesar do imediatismo exigido na plataforma, é necessário pensar na utilização da rede social de forma responsável, garantindo a ética jornalística. 

Foi nesse sentido que a jornalista Luísa Pires Luciano desenvolveu um artigo, publicado no  International Journalists’ Network, sobre a forma como os jornalistas devem utilizar o Twitter, promovendo a ética jornalística, e com algumas dicas sobre o tema.

Em primeiro lugar, é importante definir uma “online persona”, esta questão é facilitada quando se trabalha para uma organização cuja missão é clara. Através desta definição, o jornalista começa a definir o tipo de notícias que deve ou não partilhar.

 

Seguir a linha editorial da organização para a qual trabalha, mostrando também um pouco de autenticidade própria, pode tornar a conta do Twitter menos ousada, mas permite tweetarde forma ética e responsável. O fundamental é definir de que forma o jornalista quer ser visto.

 

Utilizar o Twitter como forma de guiar ou transmitir informações às pessoas em situações de emergência ou catástrofes também é uma função importante. Os jornalistas podem informar as pessoas através desta rede, de várias formas, com ajudas necessárias para fazer face a tais situações.

 

Os hashtags já foram uma maneira de “seguir” quem falava sobre um determinado tema ou evento, mas, actualmente, as ferramentas de pesquisa do Twitter estão bastante avançadas e permitem a identificação de tópicos sem a sua utilização. 

 

Portanto, os jornalistas podem deixar de utilizar os hashtags, aquando da publicação de notícias de última hora ou de tópicos sensíveis.

 

Como plataforma, o Twitter acaba por ser a ferramenta mais útil para acompanhar as últimas notícias e o desenvolvimento de determinados temas. Contudo, o Facebook é útil para ver e partilhar vídeos em directo ou conteúdos em vídeo já trabalhados e editados. 

 

Instagram, por sua vez, é adequado para noticiários e pode ser utilizado para reencaminhar os utilizadores para links e artigos.

 

É importante perceber como o público reage a cada plataforma, de forma a desenvolver um plano de social media, que seja o mais eficaz possível,  para partilhar e reunir informação apropriada.

Mais informação em International Journalists’ Network.

Connosco
A era digital e as alterações do conceito de jornalista Ver galeria

Com as vagas de desinformação que começaram a circular “online” nos últimos anos, passou a ser necessário partilhar, com eficácia e clareza, as definições de “notícia” e de “jornalista”, para que o público consiga acompanhar as profundas transformações do mundo mediático,  considerou Sabine Righetti num artigo publicado no“Observatório da Imprensa, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, explicou a autora, se, há dez anos, a produção noticiosa era um papel exclusivo do jornalista, que colaborava com títulos informativos, actualmente, qualquer um pode escrever um artigo, partilhando-o através das redes sociais.

Ou seja, hoje em dia, é preciso ressalvar que nem todo o utilizador da internet que partilha uma peça, de cariz informativo, pode ser considerado um jornalista. E que, por outro lado, nem todo o cidadão com actividade declarada como jornalística cumpre as normas deontológicas, confundindo-se, por vezes, com um activista.

Portanto, considera Righetti, há,  agora, uma hibridização do conceito.

Por isso mesmo, definir quem é, ou não, um jornalista, é uma tarefa cada vez mais difícil de concretizar, explicou a autora. Isto porque, já nem os documentos legais são considerados válidos, perante o panorama actual.

Neste âmbito,  Righetti recorda que, no Brasil, conceito de jornalismo foi definido  por um decreto, de Março de 1979, que instituiu que a profissão de jornalista compreendia actividades como “redacção, condensação, titulação, interpretação, correcção ou coordenação de informação a ser divulgada” ou “comentário ou crónica, a serem partilhados através de quaisquer veículos de comunicação”.

Além disso, naquela época, a “empresa jornalística” era um elemento central da actividade. O jornalismo, então, era tudo aquilo feito nos  “media” formais. 

E mais: o exercício da profissão de jornalista, de acordo com a legislação, exigia o registo prévio no Ministério do Trabalho, mediante a apresentação do comprovativo de nacionalidade brasileira, do  diploma de curso superior de jornalismo e da carteira de trabalho.

Em  2009, relembra a autora, o STF (Supremo Tribunal Federal) retirou a exigência do diploma para o exercício da profissão. Ainda assim, as empresas de jornalismo contratavam, na sua maioria, colaboradores especializados para fazer jornalismo.

Só que o jornalismo, continua Righetti, cada vez mais, começou a sair das “empresas jornalísticas” e ganhou outros espaços que a legislação das décadas de 1960 e 1970 jamais poderia ter previsto.


Os leitores de imprensa e o que procuram nos títulos informativos Ver galeria

Os leitores de notícias podem dividir-se em seis categorias, dependendo das suas necessidades e interesses, concluiu um relatório do “Financial Times”, citado pelo"Laboratório de Periodismo”,  cujas conclusões podem ajudar outros “media” a reter subscritores.

De acordo com o estudo, por norma, os cidadãos consultam os títulos informativos com um de seis objectivos: manterem-se actualizados, alargarem a sua contextualização sobre o mundo que os rodeia; educarem-se sobre um determinado tópico ou personalidade; divertirem-se através de artigos lúdicos ou actividades didácticas; inspirarem-se ao lerem histórias sobre alguém que superou adversidades; e seguirem as tendências do mundo ‘online’.

Assim, a fim de terem sucesso junto do público, explica o documento, os jornais devem identificar a categoria com a qual a maioria dos seus leitores se identifica, para que possam continuar a captar o seu interesse, gerando um maior número de subscrições e, consequentemente, mais receitas.

O “Financial Times” realizou esta experiência junto de três editoras distintas, ajudando-as a compreender aquilo que poderiam fazer para optimizar a interacção com o público.

A editora 1, por exemplo, concluiu que 40% dos artigos que produzia eram da categoria “actualize-me”, mas que estes geravam, apenas, 13% de visualizações de página. Por outro lado, os artigos da categoria “entretenimento” representavam 19% do total de artigos publicados, mas, geravam 43% das interacções.


O Clube



Este espaço do Clube Português de Imprensa vai fechar para férias durante o mês de Agosto.
É uma opção adoptada desde o lançamento do site em Novembro de 2016.
Recorde-se que o site se divide em três grandes áreas de conteúdos, com uma coluna de opinião a cargo de jornalistas e investigadores das Ciências de Comunicação, resumos informativos e propostas de reflexão sobre as grandes questões que se colocam hoje na paisagem mediática e à função jornalística.
O site do CPI conta, ainda, com as parcerias do Observatório de Imprensa do Brasil e da Asociacion de la Prensa de Madrid, dos quais publica regularmente trabalhos de análise em diferentes perspectivas, desde a ética profissional aos efeitos das mudanças tecnológicas.
O CPI, associação reconhecida de Utilidade Pública fundada em Dezembro de 1980, integra o Prémio Helena Vaz da Silva, instituído conjuntamente com o CNC-Centro Nacional de Cultura e Europa Nostra, e lançou em 2017 o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares.
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, cuja atribuição foi interrompida devido à pandemia, destina-se a jornalistas e à imprensa de língua portuguesa de todo o mundo, "em suporte papel ou digital", de acordo com o regulamento.

Ao concluir mais um ciclo de actividade do Clube e do site em particular, é muito gratificante saber que, apesar dos sobressaltos e das incertezas que afectam os media, o número de frequentadores habituais deste espaço tem vindo sempre a aumentar e a consolidar-se, designadamente, na sua visibilidade internacional, medida pela Google Analytics.

Aos associados, amigos e visitantes deste site o CPI deseja boas férias! E até Setembro.


ver mais >
Opinião
A vertigem digital
Dinis de Abreu
O mercado dos media portugueses anda agitado. Nos últimos meses, mudaram de mãos as rádios da Media Capital, adquiridas por um grupo alemão; o Jornal Económico (e, provavelmente, o semanário “Novo”), que passou a ser titulado por um investidor angolano; e o semanário “Sol” e o diário “i”, detidos pelo jornalista Mário Ramires, que transitaram para o universo de um fundo português de capital...
Se tudo correr bem, no início da próxima semana, Macau “liberta-se”, embora gradualmente, do primeiro grande surto de covid-19 desde Fevereiro de 2020. No total, desde 18 de Julho, foram detectados 1.117 casos de infecção, dos quais apenas cerca de 700 apresentaram sintomas, e houve um total de apenas seis mortos, todas senhoras idosas com doenças crónicas. Se tudo correr bem, o grande surto de covid em Macau durou três semanas. O...
Trump só aceita resultados eleitorais quando é declarado vencedor. Caso contrário, trata-se de uma fraude. Esta versão peculiar da democracia começa a fazer escola. É o caso de Bolsonaro. Os jornalistas são alvo da fúria de Trump e Bolsonaro. Donald Trump prepara a sua candidatura à presidência dos EUA em 2024. As sessões da comissão de inquérito do Congresso federal, que investiga o assalto ao...
Apesar de todo o meu passado de jornalista, tento cada vez mais colocar-me no presente de cidadão leitor, escutante ou visionador da atual torrente de notícias. Não ouso elevar-me ao papel de futurólogo desta relação entre receptor e emissor. Na verdade, isso interessa-me pouco. Quero fixar-me no hoje, já não tenho alma de vidente. E o hoje é a sociedade dos sentidos e das emoções. Li recentemente um pequeno ensaio do...
Esta semana dei comigo a pensar qual a razão para termos um serviço público de rádio e televisão, pago pelos portugueses na factura da electricidade, se verdadeiramente ele é apenas uma variante daquilo que os canais privados fazem? A RTP1 é uma fraca alternativa - a grelha de programas assenta na mesma tipologia dos canais comerciais privados: informação, desporto, entretenimento de consumo rápido. Os melhores resultados da...
Agenda
05
Out
The Publisher Podcast Summit
09:00 @ Proud Cabaret City, Londres
06
Out
News Impact Summit
10:00 @ Praga, República Checa