Quarta-feira, 17 de Agosto, 2022
Mundo

“Media” cubanos denunciam repressão do jornalismo independente

Foi publicado um comunicado conjunto, assinado por 19 meios de comunicação independentes, que denuncia a repressão que sofrem por parte do governo.

O comunicado está disponível no site CUBANET e, segundo a informação que consta no documento, desde janeiro de 2018 foram documentadas 183 agressões a jornalistas que trabalham em Cuba, tendo-se verificado um aumento deste tipo de crime nos últimos meses.

Os ataques têm como objectivo reprimir a imprensa independente, através de “detenções arbitrárias, interrogatórios, intimidação psicológica, agressões verbais, buscas domiciliárias, proibição de sair do país, assédio sexual, cyberbullying, difamação”, entre outros, refere o documento.

Os meios citam, também, que “estas agressões restringem o direito dos cidadãos cubanos à informação de interesse público, e, por conseguinte, impedem-nos de aceder e participar na tomada de decisões”.

O comunicado exige que o governo revogue as leis que violam o direito à liberdade de expressão e que legalizem os media independentes.

A jornalista Paola Nalvarte publicou um artigo, disponível no site Knight Center for Journalism in the Americas, no qual reporta a situação.

O jornalismo em Cuba continua marcado pela repressão governamental, a perseguição aos jornalistas independentes e a supressão das necessidades de informação da população.

 

A imprensa independente foi silenciada em Cuba na década de 60. O governo cubano controla quase todos os meios de comunicação e restringe o acesso ao exterior. Segundo a Constituição cubana, os meios de comunicação social são propriedade do Estado, não podendo ser privados.

 

A 18 de setembro, um grupo de 55 jornalistas, editores, investigadores e professores assinaram um manifesto que denunciava as violações da liberdade de imprensa e pedia o fim da repressão dos jornalistas independentes. Hoje esse manifesto conta com mais de mil assinaturas.

 

Entretanto, 19 meios de comunicação independentes –14ymedio, ADN Cuba, Alas Tensas, Árbol Invertido, Asociación Pro Libertad de Prensa (APLP), CiberCuba, Convivencia, CubaNet, Diario de Cuba, El Estornudo, Havana Times, Hypermedia Magazine, La Hora de Cuba, Play-Off Magazine, Proyecto Inventario, Puente a la Vista, Rialta, Tremenda Nota y YucaByte – publicaram um comunicado que denuncia a repressão e os ataques que sofrem por parte do governo de Miguel Díaz-Canel.

 

O comunicado condena os ataques à liberdade de imprensa, solicita a legalização da prática jornalística por parte dos meios independentes e não estatais, requer a revogação das leis e regulamentos que restringem a liberdade de expressão, a transparência da informação, entre outros.

 

O portal de notícias 14yMedio, que foi o primeiro meio de comunicação independente em Cuba em 50 anos, refere que graças à internet e às novas tecnologias surgiram vários meios de comunicação digitais independentes, que desafiam o controlo exercido pelo Partido Comunista. Frequentemente, o governo bloqueia o acesso aos sites e apenas uma fracção da população consegue aceder a estes meios independentes.

 

Para combater este crescimento e silenciar os meios independentes, em julho, o governo cubano anunciou um decreto-lei que declara que qualquer cubano que tiver um site num servidor estrangeiro será multado e os seus equipamentos apreendidos.

 

 

Mais informação em Knight Center for Journalism in the Americas.

 

Connosco
A era digital e as alterações do conceito de jornalista Ver galeria

Com as vagas de desinformação que começaram a circular “online” nos últimos anos, passou a ser necessário partilhar, com eficácia e clareza, as definições de “notícia” e de “jornalista”, para que o público consiga acompanhar as profundas transformações do mundo mediático,  considerou Sabine Righetti num artigo publicado no“Observatório da Imprensa, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, explicou a autora, se, há dez anos, a produção noticiosa era um papel exclusivo do jornalista, que colaborava com títulos informativos, actualmente, qualquer um pode escrever um artigo, partilhando-o através das redes sociais.

Ou seja, hoje em dia, é preciso ressalvar que nem todo o utilizador da internet que partilha uma peça, de cariz informativo, pode ser considerado um jornalista. E que, por outro lado, nem todo o cidadão com actividade declarada como jornalística cumpre as normas deontológicas, confundindo-se, por vezes, com um activista.

Portanto, considera Righetti, há,  agora, uma hibridização do conceito.

Por isso mesmo, definir quem é, ou não, um jornalista, é uma tarefa cada vez mais difícil de concretizar, explicou a autora. Isto porque, já nem os documentos legais são considerados válidos, perante o panorama actual.

Neste âmbito,  Righetti recorda que, no Brasil, conceito de jornalismo foi definido  por um decreto, de Março de 1979, que instituiu que a profissão de jornalista compreendia actividades como “redacção, condensação, titulação, interpretação, correcção ou coordenação de informação a ser divulgada” ou “comentário ou crónica, a serem partilhados através de quaisquer veículos de comunicação”.

Além disso, naquela época, a “empresa jornalística” era um elemento central da actividade. O jornalismo, então, era tudo aquilo feito nos  “media” formais. 

E mais: o exercício da profissão de jornalista, de acordo com a legislação, exigia o registo prévio no Ministério do Trabalho, mediante a apresentação do comprovativo de nacionalidade brasileira, do  diploma de curso superior de jornalismo e da carteira de trabalho.

Em  2009, relembra a autora, o STF (Supremo Tribunal Federal) retirou a exigência do diploma para o exercício da profissão. Ainda assim, as empresas de jornalismo contratavam, na sua maioria, colaboradores especializados para fazer jornalismo.

Só que o jornalismo, continua Righetti, cada vez mais, começou a sair das “empresas jornalísticas” e ganhou outros espaços que a legislação das décadas de 1960 e 1970 jamais poderia ter previsto.


Os leitores de imprensa e o que procuram nos títulos informativos Ver galeria

Os leitores de notícias podem dividir-se em seis categorias, dependendo das suas necessidades e interesses, concluiu um relatório do “Financial Times”, citado pelo"Laboratório de Periodismo”,  cujas conclusões podem ajudar outros “media” a reter subscritores.

De acordo com o estudo, por norma, os cidadãos consultam os títulos informativos com um de seis objectivos: manterem-se actualizados, alargarem a sua contextualização sobre o mundo que os rodeia; educarem-se sobre um determinado tópico ou personalidade; divertirem-se através de artigos lúdicos ou actividades didácticas; inspirarem-se ao lerem histórias sobre alguém que superou adversidades; e seguirem as tendências do mundo ‘online’.

Assim, a fim de terem sucesso junto do público, explica o documento, os jornais devem identificar a categoria com a qual a maioria dos seus leitores se identifica, para que possam continuar a captar o seu interesse, gerando um maior número de subscrições e, consequentemente, mais receitas.

O “Financial Times” realizou esta experiência junto de três editoras distintas, ajudando-as a compreender aquilo que poderiam fazer para optimizar a interacção com o público.

A editora 1, por exemplo, concluiu que 40% dos artigos que produzia eram da categoria “actualize-me”, mas que estes geravam, apenas, 13% de visualizações de página. Por outro lado, os artigos da categoria “entretenimento” representavam 19% do total de artigos publicados, mas, geravam 43% das interacções.


O Clube



Este espaço do Clube Português de Imprensa vai fechar para férias durante o mês de Agosto.
É uma opção adoptada desde o lançamento do site em Novembro de 2016.
Recorde-se que o site se divide em três grandes áreas de conteúdos, com uma coluna de opinião a cargo de jornalistas e investigadores das Ciências de Comunicação, resumos informativos e propostas de reflexão sobre as grandes questões que se colocam hoje na paisagem mediática e à função jornalística.
O site do CPI conta, ainda, com as parcerias do Observatório de Imprensa do Brasil e da Asociacion de la Prensa de Madrid, dos quais publica regularmente trabalhos de análise em diferentes perspectivas, desde a ética profissional aos efeitos das mudanças tecnológicas.
O CPI, associação reconhecida de Utilidade Pública fundada em Dezembro de 1980, integra o Prémio Helena Vaz da Silva, instituído conjuntamente com o CNC-Centro Nacional de Cultura e Europa Nostra, e lançou em 2017 o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares.
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, cuja atribuição foi interrompida devido à pandemia, destina-se a jornalistas e à imprensa de língua portuguesa de todo o mundo, "em suporte papel ou digital", de acordo com o regulamento.

Ao concluir mais um ciclo de actividade do Clube e do site em particular, é muito gratificante saber que, apesar dos sobressaltos e das incertezas que afectam os media, o número de frequentadores habituais deste espaço tem vindo sempre a aumentar e a consolidar-se, designadamente, na sua visibilidade internacional, medida pela Google Analytics.

Aos associados, amigos e visitantes deste site o CPI deseja boas férias! E até Setembro.


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