Sábado, 16 de Novembro, 2019
Opinião

Manipular a RTP é destruir o serviço público

por Manuel Falcão

Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.

 

O programa, que devia ter retomado a sua exibição em Setembro, acabou por não ser emitido durante a campanha eleitoral por decisão da Direcção de Informação e apenas voltou na semana passada. Quem o viu perceberá o porquê da suspensão durante a campanha eleitoral - o trabalho de investigação sobre a exploração do lítio em Portugal e as concessões atribuídas gera desconforto no poder .

 

Tivesse ele sido exibido na altura prevista e um dos Ministros, agora reconduzido, João Galamba, teria sido pretexto para mais umas dores de cabeça de António Costa.

 

Galamba, que aliás é um dos bulldogs políticos de serviço ao PS, já se indignou sobre o programa, mostrando assim o seu conhecido apreço pela liberdade de opinião e de informação, evidenciando o que se pode ter passado nos bastidores da decisão. 

 

O que se passa é que, ao estimular comportamentos assim, quem esconde e adia programas como este está a prestar um péssimo serviço e a dar razão a todos os que querem acabar com o serviço público de televisão, dando pretexto a que surjam acusações de ingerência editorial. No news não é melhor que fake news.

 

Não se sabe, nem saberá, se a decisão de esconder o programa foi tomada por receio de ofender o poder ou por descarada intromissão deste, mas o que é facto é que uma das duas coisas existiu e isso não é bom. Até à data não ouvi nenhum dos bonzos do Conselho Geral Independente, essa inútil instituição criada por Poiares Maduro, pronunciar-se sobre o assunto, eles que eram supostos ser os guardiões da virtude.

 

O caso do “Sexta às 9” já proporcionou que alguns viessem clamar pela privatização da RTP e outras aleivosias do género, próprias de quem não entende das matérias sobre as quais se pronuncia.

 

Os mais liberais e avançados países europeus têm serviço público audiovisual forte e dinâmico, que é o fiel da balança na paisagem audiovisual desses países, que estimula o tecido económico da área e que é um bastião das respectivas culturas nacionais. Aqui a noção de serviço público é evitar incomodar os políticos, sobretudo os que estão no poder. E isso sim é que é preciso mudar. 

Connosco
Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo Ver galeria

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

O “LeKiosk” muda para “Cafeyn” e alarga oferta a assinantes Ver galeria

O serviço de notícias LeKiosk mudou de nome para Cafeyn e passou a apresentar-se como um serviço de streaming de informações. O quiosque digital permite a consulta de mais de mil títulos de imprensa francesa e internacional por 9,99 euros por mês.

A mudança de nome e de visual têm como objectivo atrair um público mais numeroso e fazer frente à Apple News+.

De salientar que a alteração da designação é, também, explicada por uma batalha jurídica, iniciada em 2012, entre LeKiosk Monkiosque.fr, publicada pelo Grupo Toutabo.

O departamento de propriedade intelectual da União Europeia decidiu, em Março, que havia um risco de confusão para o público, e que a Toutabo tinha registado a sua marca antes da LeKiosk.

Cafeyn tem, atualmente, cerca de um milhão de utilizadores activos por mês, em comparação com os 200 mil em 2017, que lêem uma média de 15 revistas diferentes. A maior parte destes assinantes foram obtidos através de operadores de telecomunicações, como a Bouygues Telecom e a Free, que oferecem o acesso a alguns dos seus clientes.

Isto permitiu à empresa aumentar o seu volume de negócios, que quintuplicou em três anos.

Em breve deverão ser anunciadas parcerias internacionais.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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