null, 31 de Maio, 2020
Estudo

Mudança de algoritmo no “Facebook” afecta imprensa “millennial”

Entre 2006 e 2016, os meios de comunicação, como a imprensa, a rádio e a televisão, perderam público com menos de 35 anos.

A imprensa perdeu 59% dos seus leitores nessa faixa etária.

Segundo o relatório DigitalNewsReport.es, publicado pela Universidade de Navarra, em 2018, os millennials espanhóis consumiam notícias online a partir de três fontes principais: televisão, sites ou aplicações de jornais e redes sociais ou blogs.

O facto de um terço da informação recebida por estes jovens ter origem em redes sociais afecta o circuito de informação.

Ao analisar os seus hábitos de consumo identificaram-se dois fenómenos específicos: que os millennials consomem notícias de forma “acidental”ou indirecta e que partilham mais conteúdos do que publicam.

Devido a essas novas tendências no consumo, surgiram vários medias direccionados para os millennials.

Inicialmente, esses meiosalcançaram milhões de visualizações, mas, em 2016, o Facebook alterou o seu algoritmo e muitas dessas organizações perderam a visibilidade e acabaram por fechar.

O jornalista Francisco Rouco analisou essas alterações, e o seu impacto, num artigo publicado no siteCuadernos de Periodistas”, editado pela APM – Associacion de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

"Durante muito tempo foi dito que os jovens não estavam interessados na informação, e eles estão, mas acedem de uma maneira diferente", explica Barbara Yuste, uma especialista em comunicação.

 

Foi possível apurar, também, que existem jovens que consomem notícias “acidentalmente”. Esse conceito tem origem numa pesquisa qualitativa desenvolvida, em 2016, pelo Centro de Estudos sobre Meios e Sociedade na Argentina (MESO).

 

Os pesquisadores perguntaram a 24 jovens, entre 18 e 29 anos, sobre os seus hábitos de consumo de notícias e concluíram que consumiam notícias sem as procurar.

 

Consumir acidentalmente uma notícia, ou de forma indirecta, significa que a notícia chegou ao utilizador sem que este a tivesse pesquisado.

 

Portanto, o consumo baseia-se em notícias que são lidas a partir do feed do Facebook, de alertas dos media ou a partir de qualquer notificação, o que gera pouca atenção por parte do leitor. Para os autores do estudo, isso significa "perda do contexto e da hierarquia do conteúdo jornalístico na experiência do público".

 

Os millennials preferem, também, partilhar conteúdo em vez de publicá-lo. O mesmo relatório da DigitalNewsReport.es concluiu que há muito mais pessoas a partilhar notícias no Facebook ou no WhatsApp do que a publicá-las.

 

Com o aparecimento das redes sociais e a sua evolução, em 2006, passou a ser possível partilhar notícias no Facebook e começaram a surgir os conteúdos “virais”.

 

Para perceber melhor que características tornavam determinados “posts” mais “partilháveis” do que outros, Jonah Peretti, um dos fundadores do Huffington Post e do BuzzFeed, decidiu programar um algoritmo, cujo objectivo era identificar os sites onde as notícias eram partilhadas e analisar os tópicos e os comentários.


A conclusão foi que os conteúdos mais partilhados eram imagens amigáveis, citações de celebridades, acontecimentos chocantes que não fossem trágicos e animais a fazerem coisas peculiares. Depois de concluída a análise, Peratti lançou a redacção do BuzzFeed, que se tornou uma referência na internet e nas redes sociais.

 

Assim surgiram os meios de comunicação social que são considerados millennials, entre os quais estão também a Vice, Playground, Gonzoo – 20minutos.es, Código Nuevo, Verne (do El país), FCinco (do El Mundo), Eslang (do Vocento) e a versão espanhola do BuzzFeed, que chegou a Espanha somente em 2015.


Todos esses media apostaram no desenvolvimento de conteúdos próprios para serem partilhados nas redes sociais.

Alguns deles, como a Vice Espanha e o Playground, escreviam sobre assuntos que visavam os jovens e que não apareciam nos meios mais tradicionais.

 

Os anunciantes tinham especial interesse nestes meios, uma vez que apresentavam um grande número de partilhas.

 

Em 2016, o Facebook quis penalizar os questionários e os memes. Para isso, alterou o seu algoritmo e instituiu os “conteúdos patrocinados”, passando a ser necessário que os media pagassem para que os seus anúncios chegassem ao seu público alvo. A plataforma passou, também, a privilegiar mais o vídeo e conteúdos multimédia, atribuindo menor relevância a fotografias e texto.

 

Esta alteração no Facebook provocou uma “crise” no sector e levou ao encerramento de muitos desses media. A Eslang e a BuzzFeed Espanha fecharam as portas este ano e a VICE Espanha fechou, também, o departamento, que foi assumido pela Vice México.

 

 O pesquisador Samuel Negredo evita falar de uma crise geral:

"Falaria de casos concretos, não da crise da imprensa millennial. Como é que os meios de comunicação dirigidos ao público que consome mais informação na Internet vão entrar em crise? Outra coisa é saber se faz sentido abordar este público apenas com conteúdos de entretenimento e concebidos para redes sociais.”


Mais informação em
Cuadernos de Periodista.

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


ver mais >
Opinião
À medida que a pandemia parece mais controlada e o regresso ao trabalho se faz, conforme as regras de desconfinamento gradual, instalou-se uma “guerra mediática” de contornos invulgares, favorecida pela trapalhada da distribuição de apoios anunciados pelo governo, supostamente,  através da compra antecipada de espaço para publicidade institucional. Primeiro assistiu-se a uma “guerra “ privada, entre a Cofina e o...
Numa era digital, marcada por uma constante e acelerada mudança, caracterizada por um globalismo padronizador de culturas e de costumes, muitas indústrias e profissões estão a alterar-se totalmente, ou até mesmo a desaparecer. Tudo isto se passa num ritmo freneticamente acelerado, que nos afoga literalmente num caudal de informação, muitas vezes difícil de filtrar e descodificar em tempo útil. A evolução...
As suas vendas desceram, os clientes atrasaram-se a pagar, os fornecedores pressionam para receber, a tesouraria está apertada? O que fazer? – Claro que vai ver onde se pode cortar custos, ao mesmo tempo que se prepara o retomar de actividades. E um dos primeiros cortes para muitas empresas é na comunicação e na publicidade. “O dinheiro não chega para tudo, tem que se escolher”, pensa quem faz o corte. No fundo consideram que no...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
Em toda a parte, ou quase, a pandemia causada pelo coronavírus fechou em casa muitos milhões de pessoas, para evitarem ser contaminadas. Um dos efeitos desse confinamento foi terem aumentado as audiências de televisão. Por outro lado, as pessoas precisam de informação, por isso o estado de emergência em Portugal mantém abertos os quiosques, que vendem jornais.   Melhores tempos para a comunicação social? Nem por isso,...
Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas