null, 17 de Novembro, 2019
Estudo

Mudança de algoritmo no “Facebook” afecta imprensa “millennial”

Entre 2006 e 2016, os meios de comunicação, como a imprensa, a rádio e a televisão, perderam público com menos de 35 anos.

A imprensa perdeu 59% dos seus leitores nessa faixa etária.

Segundo o relatório DigitalNewsReport.es, publicado pela Universidade de Navarra, em 2018, os millennials espanhóis consumiam notícias online a partir de três fontes principais: televisão, sites ou aplicações de jornais e redes sociais ou blogs.

O facto de um terço da informação recebida por estes jovens ter origem em redes sociais afecta o circuito de informação.

Ao analisar os seus hábitos de consumo identificaram-se dois fenómenos específicos: que os millennials consomem notícias de forma “acidental”ou indirecta e que partilham mais conteúdos do que publicam.

Devido a essas novas tendências no consumo, surgiram vários medias direccionados para os millennials.

Inicialmente, esses meiosalcançaram milhões de visualizações, mas, em 2016, o Facebook alterou o seu algoritmo e muitas dessas organizações perderam a visibilidade e acabaram por fechar.

O jornalista Francisco Rouco analisou essas alterações, e o seu impacto, num artigo publicado no siteCuadernos de Periodistas”, editado pela APM – Associacion de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

"Durante muito tempo foi dito que os jovens não estavam interessados na informação, e eles estão, mas acedem de uma maneira diferente", explica Barbara Yuste, uma especialista em comunicação.

 

Foi possível apurar, também, que existem jovens que consomem notícias “acidentalmente”. Esse conceito tem origem numa pesquisa qualitativa desenvolvida, em 2016, pelo Centro de Estudos sobre Meios e Sociedade na Argentina (MESO).

 

Os pesquisadores perguntaram a 24 jovens, entre 18 e 29 anos, sobre os seus hábitos de consumo de notícias e concluíram que consumiam notícias sem as procurar.

 

Consumir acidentalmente uma notícia, ou de forma indirecta, significa que a notícia chegou ao utilizador sem que este a tivesse pesquisado.

 

Portanto, o consumo baseia-se em notícias que são lidas a partir do feed do Facebook, de alertas dos media ou a partir de qualquer notificação, o que gera pouca atenção por parte do leitor. Para os autores do estudo, isso significa "perda do contexto e da hierarquia do conteúdo jornalístico na experiência do público".

 

Os millennials preferem, também, partilhar conteúdo em vez de publicá-lo. O mesmo relatório da DigitalNewsReport.es concluiu que há muito mais pessoas a partilhar notícias no Facebook ou no WhatsApp do que a publicá-las.

 

Com o aparecimento das redes sociais e a sua evolução, em 2006, passou a ser possível partilhar notícias no Facebook e começaram a surgir os conteúdos “virais”.

 

Para perceber melhor que características tornavam determinados “posts” mais “partilháveis” do que outros, Jonah Peretti, um dos fundadores do Huffington Post e do BuzzFeed, decidiu programar um algoritmo, cujo objectivo era identificar os sites onde as notícias eram partilhadas e analisar os tópicos e os comentários.


A conclusão foi que os conteúdos mais partilhados eram imagens amigáveis, citações de celebridades, acontecimentos chocantes que não fossem trágicos e animais a fazerem coisas peculiares. Depois de concluída a análise, Peratti lançou a redacção do BuzzFeed, que se tornou uma referência na internet e nas redes sociais.

 

Assim surgiram os meios de comunicação social que são considerados millennials, entre os quais estão também a Vice, Playground, Gonzoo – 20minutos.es, Código Nuevo, Verne (do El país), FCinco (do El Mundo), Eslang (do Vocento) e a versão espanhola do BuzzFeed, que chegou a Espanha somente em 2015.


Todos esses media apostaram no desenvolvimento de conteúdos próprios para serem partilhados nas redes sociais.

Alguns deles, como a Vice Espanha e o Playground, escreviam sobre assuntos que visavam os jovens e que não apareciam nos meios mais tradicionais.

 

Os anunciantes tinham especial interesse nestes meios, uma vez que apresentavam um grande número de partilhas.

 

Em 2016, o Facebook quis penalizar os questionários e os memes. Para isso, alterou o seu algoritmo e instituiu os “conteúdos patrocinados”, passando a ser necessário que os media pagassem para que os seus anúncios chegassem ao seu público alvo. A plataforma passou, também, a privilegiar mais o vídeo e conteúdos multimédia, atribuindo menor relevância a fotografias e texto.

 

Esta alteração no Facebook provocou uma “crise” no sector e levou ao encerramento de muitos desses media. A Eslang e a BuzzFeed Espanha fecharam as portas este ano e a VICE Espanha fechou, também, o departamento, que foi assumido pela Vice México.

 

 O pesquisador Samuel Negredo evita falar de uma crise geral:

"Falaria de casos concretos, não da crise da imprensa millennial. Como é que os meios de comunicação dirigidos ao público que consome mais informação na Internet vão entrar em crise? Outra coisa é saber se faz sentido abordar este público apenas com conteúdos de entretenimento e concebidos para redes sociais.”


Mais informação em
Cuadernos de Periodista.

Connosco
Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo Ver galeria

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

O “LeKiosk” muda para “Cafeyn” e alarga oferta a assinantes Ver galeria

O serviço de notícias LeKiosk mudou de nome para Cafeyn e passou a apresentar-se como um serviço de streaming de informações. O quiosque digital permite a consulta de mais de mil títulos de imprensa francesa e internacional por 9,99 euros por mês.

A mudança de nome e de visual têm como objectivo atrair um público mais numeroso e fazer frente à Apple News+.

De salientar que a alteração da designação é, também, explicada por uma batalha jurídica, iniciada em 2012, entre LeKiosk Monkiosque.fr, publicada pelo Grupo Toutabo.

O departamento de propriedade intelectual da União Europeia decidiu, em Março, que havia um risco de confusão para o público, e que a Toutabo tinha registado a sua marca antes da LeKiosk.

Cafeyn tem, atualmente, cerca de um milhão de utilizadores activos por mês, em comparação com os 200 mil em 2017, que lêem uma média de 15 revistas diferentes. A maior parte destes assinantes foram obtidos através de operadores de telecomunicações, como a Bouygues Telecom e a Free, que oferecem o acesso a alguns dos seus clientes.

Isto permitiu à empresa aumentar o seu volume de negócios, que quintuplicou em três anos.

Em breve deverão ser anunciadas parcerias internacionais.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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19
Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
19
Nov
19
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10:00 @ Teatro Tivoli
21
Nov