Quarta-feira, 17 de Agosto, 2022
Mundo

Como aumentar a fidelização dos leitores convertendo-os em assinantes

DuMont Publishing Company, da Alemanha, nem sempre acompanhou a fidelização dos seus leitores.

Contudo, em 2018, o panorama mudou, quando a DuMont decidiu aumentar sua base de assinantes. 

Ao aperceberem-se que as antigas métricas já não atendiam às suas necessidades, a DuMont desenvolveu uma métrica chamada "visitantes prioritários" para medir a sua nova abordagem. Essa métrica identifica os utilizadores que visitam uma das marcas da DuMont pelo menos cinco vezes por mês. 

Outra das métricas desenvolvidas foi a "visitantes fiéis", que identifica os utilizadores que visitam o site pelo menos 20 vezes por mês. Os insights que obtiveram das novas análises influenciaram as alterações das suas abordagens editoriais.

Segundo Grzegorz Piechota, um pesquisador residente na International News Media Association, que falou no Germany Reader Revenue Accelerator, com base em vários estudos académicos e de negócios, ficou provado que a frequência de visitas – medida de fidelidade – está relacionada com a propensão de comparar ou renovar uma assinatura, o que impulsiona o negócio da publicidade.

"Era importante para nós identificar os utilizadores que são fiéis às nossas marcas, assumindo que eles seriam mais propensos a registarem-se nos nossos sites e, em seguida, a transformarem-se em assinantes ", referiu Fabius Klabunde, gestor de audiência.

 

"Descobrimos que os visitantes prioritários estão, principalmente, interessados em notícias locais e que tivemos muitos visitantes prioritários que chegaram ao site através das redes sociais", referiu Izabela Koza, gestora de marketing e audiências de conteúdo premium da Stadt-Anzeiger.

 

Nas redes sociais, K?lner Stadt-Anzeiger focou-se no Instagram para produzir conteúdo mais alegre e fortalecer os laços dos leitores com a sua cidade, o que promove, também, o vínculo dos leitores com a marca.

 

O foco na retenção é fundamental para qualquer estratégia de angariação e retenção de assinaturas. "Dependendo da indústria, adquirir um novo cliente pode ser de cinco a 25 vezes mais caro do que manter um cliente existente", disse Piechota, ex-Fellow da Nieman.

 

Os pontos de venda da DuMont desenvolveram newsletters mais direccionadas e personalizadas, com o objectivo de cativar e interagir melhor com os leitores.

 

A Kölner Stadt-Anzeiger começou a produzir boletins informativos sobre restaurantes e eventos culturais na cidade. O Mitteldeutsche Zeitung, outra das publicações da DuMont, desenvolveu newsletters “híper locais”, escritas por líderes das 16 editorias da publicação e com foco nas notícias e eventos locais da semana.

 

A estratégia renovada da DuMont não ficará pela medição da fidelidade, a empresa planeia obter insights ainda mais profundos sobre o comportamento dos leitores.

 

Mais informação em NiemanLab e IJnet.

Connosco
A era digital e as alterações do conceito de jornalista Ver galeria

Com as vagas de desinformação que começaram a circular “online” nos últimos anos, passou a ser necessário partilhar, com eficácia e clareza, as definições de “notícia” e de “jornalista”, para que o público consiga acompanhar as profundas transformações do mundo mediático,  considerou Sabine Righetti num artigo publicado no“Observatório da Imprensa, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, explicou a autora, se, há dez anos, a produção noticiosa era um papel exclusivo do jornalista, que colaborava com títulos informativos, actualmente, qualquer um pode escrever um artigo, partilhando-o através das redes sociais.

Ou seja, hoje em dia, é preciso ressalvar que nem todo o utilizador da internet que partilha uma peça, de cariz informativo, pode ser considerado um jornalista. E que, por outro lado, nem todo o cidadão com actividade declarada como jornalística cumpre as normas deontológicas, confundindo-se, por vezes, com um activista.

Portanto, considera Righetti, há,  agora, uma hibridização do conceito.

Por isso mesmo, definir quem é, ou não, um jornalista, é uma tarefa cada vez mais difícil de concretizar, explicou a autora. Isto porque, já nem os documentos legais são considerados válidos, perante o panorama actual.

Neste âmbito,  Righetti recorda que, no Brasil, conceito de jornalismo foi definido  por um decreto, de Março de 1979, que instituiu que a profissão de jornalista compreendia actividades como “redacção, condensação, titulação, interpretação, correcção ou coordenação de informação a ser divulgada” ou “comentário ou crónica, a serem partilhados através de quaisquer veículos de comunicação”.

Além disso, naquela época, a “empresa jornalística” era um elemento central da actividade. O jornalismo, então, era tudo aquilo feito nos  “media” formais. 

E mais: o exercício da profissão de jornalista, de acordo com a legislação, exigia o registo prévio no Ministério do Trabalho, mediante a apresentação do comprovativo de nacionalidade brasileira, do  diploma de curso superior de jornalismo e da carteira de trabalho.

Em  2009, relembra a autora, o STF (Supremo Tribunal Federal) retirou a exigência do diploma para o exercício da profissão. Ainda assim, as empresas de jornalismo contratavam, na sua maioria, colaboradores especializados para fazer jornalismo.

Só que o jornalismo, continua Righetti, cada vez mais, começou a sair das “empresas jornalísticas” e ganhou outros espaços que a legislação das décadas de 1960 e 1970 jamais poderia ter previsto.


Os leitores de imprensa e o que procuram nos títulos informativos Ver galeria

Os leitores de notícias podem dividir-se em seis categorias, dependendo das suas necessidades e interesses, concluiu um relatório do “Financial Times”, citado pelo"Laboratório de Periodismo”,  cujas conclusões podem ajudar outros “media” a reter subscritores.

De acordo com o estudo, por norma, os cidadãos consultam os títulos informativos com um de seis objectivos: manterem-se actualizados, alargarem a sua contextualização sobre o mundo que os rodeia; educarem-se sobre um determinado tópico ou personalidade; divertirem-se através de artigos lúdicos ou actividades didácticas; inspirarem-se ao lerem histórias sobre alguém que superou adversidades; e seguirem as tendências do mundo ‘online’.

Assim, a fim de terem sucesso junto do público, explica o documento, os jornais devem identificar a categoria com a qual a maioria dos seus leitores se identifica, para que possam continuar a captar o seu interesse, gerando um maior número de subscrições e, consequentemente, mais receitas.

O “Financial Times” realizou esta experiência junto de três editoras distintas, ajudando-as a compreender aquilo que poderiam fazer para optimizar a interacção com o público.

A editora 1, por exemplo, concluiu que 40% dos artigos que produzia eram da categoria “actualize-me”, mas que estes geravam, apenas, 13% de visualizações de página. Por outro lado, os artigos da categoria “entretenimento” representavam 19% do total de artigos publicados, mas, geravam 43% das interacções.


O Clube



Este espaço do Clube Português de Imprensa vai fechar para férias durante o mês de Agosto.
É uma opção adoptada desde o lançamento do site em Novembro de 2016.
Recorde-se que o site se divide em três grandes áreas de conteúdos, com uma coluna de opinião a cargo de jornalistas e investigadores das Ciências de Comunicação, resumos informativos e propostas de reflexão sobre as grandes questões que se colocam hoje na paisagem mediática e à função jornalística.
O site do CPI conta, ainda, com as parcerias do Observatório de Imprensa do Brasil e da Asociacion de la Prensa de Madrid, dos quais publica regularmente trabalhos de análise em diferentes perspectivas, desde a ética profissional aos efeitos das mudanças tecnológicas.
O CPI, associação reconhecida de Utilidade Pública fundada em Dezembro de 1980, integra o Prémio Helena Vaz da Silva, instituído conjuntamente com o CNC-Centro Nacional de Cultura e Europa Nostra, e lançou em 2017 o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares.
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, cuja atribuição foi interrompida devido à pandemia, destina-se a jornalistas e à imprensa de língua portuguesa de todo o mundo, "em suporte papel ou digital", de acordo com o regulamento.

Ao concluir mais um ciclo de actividade do Clube e do site em particular, é muito gratificante saber que, apesar dos sobressaltos e das incertezas que afectam os media, o número de frequentadores habituais deste espaço tem vindo sempre a aumentar e a consolidar-se, designadamente, na sua visibilidade internacional, medida pela Google Analytics.

Aos associados, amigos e visitantes deste site o CPI deseja boas férias! E até Setembro.


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