Sábado, 18 de Janeiro, 2020
Opinião

A “tabloidização” informativa nos “media”

por Dinis de Abreu

A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos.

A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas como a raiz dessa nova tendência para um “populismo “informativo.

Dois exemplos recentes: o bebé sem rosto, por negligência médica, e o bebé deitado ao lixo por uma mulher sem abrigo. Em ambas as situações-limite não está em causa o dever de noticiar e de investigar o que se passou, com objectividade e rigor. Mas não é defensável que temas tão delicados sejam explorados mediaticamente, dias a fio, como uma espécie de folhetim.

Com este procedimento, o que se procura é, simplesmente, aproveitar duas ocorrências singulares como “histórias que vendem”, porque emocionam e chegam ao coração das pessoas.

O alastramento desta “filosofia editorial”, que compromete o jornalismo, visa o efeito fácil, e invade territórios que precisariam de ser olhados com bom senso e respeito pelos dramas vividos, e que não são.


Por isso, começa a ser difícil distinguir os telejornais ou os títulos de Imprensa, separando os sérios de referência, dos tabloides populares. A realidade é que estão cada vez mais próximos e semelhantes, nos métodos e nas escolhas. Com um estilo mais crú ou elaborado, embarcam na mesma tentação.


É como a praga dos pseudo-debates sobre futebol que inundou as antenas, servida por um elenco de “comentadores” onde não faltam os “arruaceiros”, que se limitam a acicatar, de uma forma continuada, as paixões clubísticas, responsáveis, depois, pela violência nos estádios e pelas claques facciosas.


É tempo de parar para pensar. A menos que se queira isto mesmo, para distrair as atenções dos verdadeiros problemas que assolam o país, varridos invariavelmente para debaixo do tapete.

Mas se for essa a explicação escondida para o empolamento de certos casos ou para a zaragata em estúdio entre “comentadores ” da bola, então será legítimo suspeitar que se trata de  uma opção  política, promíscua e perigosa.

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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