Quarta-feira, 5 de Agosto, 2020
Tecnologias

A Inteligência artificial pode beneficiar o jornalismo

Em Fevereiro passado, a Polis, o think-tank internacional de jornalismo da London School of Economics and Political Science, iniciou um projecto de investigação em colaboração com a Google News Initiative com o objectivo de investigar a relação entre jornalismo e inteligência artificial.

Depois de sete meses de trabalho e de colaborações com 71 organizações de media que recorrem a esta tecnologia, a Journalism AI publicou, recentemente, as conclusões, num relatório lançado na Hacks/Hackers London, a 18 de Novembro.

Medium entrevistou o director fundador da Polis, Charlie Beckett sobre o IA e o jornalismo.

Segundo Beckett, “o relatório chega num momento crítico para o sector de notícias, mas também num momento vital para essas tecnologias de IA. As organizações de notícias de todo o mundo, de todos os tipos, estão a começar a utilizar a IA de forma significativa – desde investigações, à personalização, à forma como as notícias são consumidas.”

“O relatório mostra que já existem alguns usos imaginativos e eficientes, mas há, também, uma série de desafios, como treino e viés algorítmico. O jornalismo está sob pressão como negócio, mas também está lutando para provar o seu valor num mundo de desinformação e conflito político. A IA não vai resolver todos esses problemas, mas a menos que entendamos melhor, vamos perder uma chance de melhorar a capacidade do jornalismo de prosperar num mundo orientado por dados”.

 

Muitas redacções continuam a evitar esta tecnologia ou utilizam o IA de forma fraccionada. Algumas apenas agora começam a ver como podem criar estratégias para maximizar a sua eficácia no processo de criação de notícias, desde a recolha, até a produção e distribuição. 

 

“Acho que a melhor comparação é com os estágios iniciais das redes sociais, há cerca de dez anos, quando algumas organizações de notícias estavam apenas a experimentar o Facebook ou o Twitter, enquanto outras entenderam que isso iria eventualmente mudar todo o seu negócio e sistemas editoriais”.

 

Para o director fundador da Polis, uma das maiores questões em torno da IA para o jornalismo é a falta de recursos para pesquisa e desenvolvimento no sector do jornalismo, sendo que apenas as redações maiores têm recursos humanos e financeiros para adoptar essa tecnologia de forma sistemática. 

 

“Portanto, o perigo é que as pequenas empresas jornalísticas possam ser deixadas para trás. No entanto, há também sinais de que as organizações noticiosas locais e especializadas podem usar a IA para obter uma vantagem comparativa, se se concentrarem nas suas necessidades e objectivos”. 

 

Um dos maiores desafios à adopção da IA, citado pelos entrevistados, é a resistência cultural (24%), incluindo o medo de perder empregos. 

 

É fundamental que não se abondonem os bons valores do jornalismo para usar a nova tecnologia e os inquiridos consideram, também, que é há necessidade de se realizar um investimento maciço em treino, competências e educação, não só para a equipa de TI especializada, mas para toda a redacção. 

 

“A IA não vai matar o jornalismo, mas também não vai salvá-lo sozinha. No entanto, pode desempenhar um papel na ajuda ao jornalismo para provar o seu valor para o público, numa altura em que a desinformação e a polarização estão a tornar mais difícil do que nunca para o cidadão encontrar os factos e o debate que o podem ajudar a viver as suas vidas. O facto é que vamos todos viver num mundo em que os enormes fluxos de dados serão impulsionados por algoritmos, muitas vezes moldados por empresas de tecnologia e outras organizações. A IA pode ajudar o jornalismo a combater directamente "notícias falsas", por exemplo, através de sistemas de autenticação automatizados. De um modo mais geral, pode ajudar a mostrar ao público em que informações confiar e a criar melhores formas de ligar bons conteúdos às pessoas que deles necessitam”, explica Beckett.

 

 

Mais informação em Medium.

Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Opinião
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Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena