Quarta-feira, 5 de Agosto, 2020
Estudo

Há “rankings” publicados em jornais incompletos ou enviesados

Os “rankings” apresentados e citados pelos jornais e restantes meios de comunicação social são, por vezes, falsos, refere Josu Mezo, professor da área de sociologia na Universidade de Castela-La Mancha, num artigo dos “Cuadernos de Periodistas”, editado pela APM, com a qual o CPI tem parceria.

Segundo Mezo, muitas destas listas não respondem correctamente àquilo que propõem, apresentando informações incompletas (expõem dados de apenas alguns países) ou tendenciosas (o método de elaboração privilegia um certo tipo de informação). Assim, a posição na tabela classificativa da cidade ou país poderá ser tendencialmente enganadora.

O especialista em ciências sociais alerta para a necessidade de verificação da fonte dos “dados” que, amiúde, se baseiam em rumores e suposições.

O jornalista espanhol Manuel Ansede é apenas um de muitos profissionais que tentou verificar a origem de uma afirmação, segundo a qual Espanha era um dos países com mais poluição sonora do mundo. Ansede concluiu que o mito - que foi reproduzido em várias notícias - teve origem num congresso em Saragoça.

 

Outro exemplo notável é o da difusão jornalística da informação de que a Espanha seria o décimo país do mundo onde havia mais pirataria de música “online”. A atribuição dessa posição resultou, no entanto, de um mal-entendido, viciado pela oralidade.

 

O “ranking” não se baseava nos dados, individuais, de cada país, mas, sim, em quatro níveis de agrupamento. O primeiro, em que mais de 50% da música seria “pirata”, incluía 31 países. No segundo, com vendas piratas entre os 25 e os 50%, estavam 25 países. Espanha era um dos onze países do terceiro nível, com vendas piratas entre os 10 e os 24% do total. Finalmente, no quarto “patamar”, estavam 16 países. Assim, a informação correcta seria a de que Espanha se tratava do 56º país do mundo com maior percentagem de consumo ilegal de música.

 

Além do mais, o levantamento de dados não foi, efetivamente, “mundial”, visto que só abrangeu países vinculados a grandes organizações internacionais, que têm capacidade para recolher informação estatística.

 

Segundo Josu Mezo, os métodos de investigação podem, também, favorecer alguns países, em detrimento de outros. Sucede que há estudos, supostamente globais, concretizados por empresas institucionais de um determinado país que acabam por beneficiar a origem.

 

Mezo alerta para a necessidade de acautelar o mais possível do enviesamento dos “rankings”, o qual pode influenciar a comunidade jornalística com referências enganosas.

Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Opinião
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Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades. Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena