Quinta-feira, 11 de Agosto, 2022
Colectânea

Portugueses confiam nos Media e não desconfiam da TV

O nível de confiança dos portugueses nos media e no jornalismo, de modo geral, baixou, no ano passado, quatro pontos percentuais, para 58%, “mas ainda deixa Portugal em segundo lugar entre 38 países”  -  abaixo da Finlândia (com 59%) e acima da Dinamarca (com 57%). E o consumo de informação pelo telemóvel ultrapassou, pela primeira vez, o do computador (com 62% contra 57%), continuando os tablets em declínio nesta função. A televisão continua, no entanto, a ser o meio de comunicação preferido, no nosso País, como fonte de notícias, com 81%, ficando a leitura online em segundo, com 79%.

O nível médio de confiança, em todos os países avaliados, desceu dois pontos, para 42%, e menos de metade dos inquiridos (49%) concordam que confiam sobretudo nos meios que eles próprios usam. Este nível caíu onze pontos, em França, ficando em 24%, “à medida que os media estão sob ataque por causa da sua cobertura do movimento dos ‘coletes amarelos’”. A confiança nas notícias obtidas por pesquisa na Internet (33%), ou pelas redes sociais (23%), mantém-se estável, mas baixa, com os valores referidos.

Na tabela do relatório sobre a preocupação quanto ao que é verdadeiro ou falso nas notícias pela Internet, o Brasil vem em primeiro lugar, com 85%, e Portugal em segundo, com 75%.

São estas algumas das conclusões destacadas do Digital News Report 2019, do Instituto Reuters, agora divulgado. O trabalho assenta num inquérito realizado pela empresa de pesquisa de mercado YouGov, junto de 75 mil consumidores de informação online de 38 países, incluindo, pela primeira vez, a África do Sul.

A preocupação do público relativamente à desinformação (fake news)  “continua bastante alta, com uma média de 55% nos 38 países analisados, sendo que a Holanda é o país que manifesta menos receios em relação a esta matéria”, com apenas 13%.

O relatório aponta ainda que cresceu o número de pessoas que evitam ler notícias, chegando ao que é descrito como “rejeição”:

“No Reino Unido, mais de metade dos que evitam notícias dizem que elas os fazem sentir tristes, enquanto outros dizem que se sentem sem poder para mudar o que acontece.”  (...)

Rasmus Nielsen, presidente do Instituto Reuters, diz que “as boas notícias são que os editores que produzem jornalismo distinto, valioso e confiável, estão a ser recompensados com sucesso comercial. As más notícias são que as pessoas acham que muito do jornalismo com o qual se cruzam não tem valor, não é de confiança e não vale a pena pagar por ele.” 

“É bem possível que isto também esteja relacionado com o mar de informação em que os consumidores se sentem mergulhados e com a aparente incapacidade dos meios de comunicação social de explicar o que se passa.” 

Segundo o estudo da Reuters, “cerca de dois terços sentem que os media são bons a manter as pessoas actualizadas (62%), mas menos a ajudá-las a compreender as notícias (51%). Menos de metade (42%) acha que os media estão a desempenhar um bom papel em controlar os ricos e poderosos  - e na Hungria este número baixa para 20%.” 

No capítulo sobre Portugal é revelado que “a sustentabilidade dos grupos e empresas de media continua a ser difícil, com o financiamento para a inovação vindo frequentemente de iniciativas como a Digital News Initiative, da Google”: 

“Em 2018, a DNI financiou cinco projectos portugueses com um total de 1,4 milhões de euros (a Media Capital, a Cofina, o Diário de Notícias, o Observador e um projecto-piloto de uma start-up chamada The Mosted, que projecta oferecer aos jornalistas métricas em tempo real, à medida que escrevem.”  (...) 

O sumário de apresentação do relatório, assinado por Nic Newman, afirma que “a polarização política encorajou o crescimento de agendas online partidárias, o que, associado ao clickbait e a várias formas de desinformação, contribui para abalar ainda mais a confiança nos media  -  levantando novas questões sobre como proporcionar uma cobertura equilibrada e imparcial na era digital”.  (...) 

“No meio de toda esta mudança frenética, alguns começam a questionar se o jornalismo continua a cumprir a sua missão fundamental de chamar os poderosos a prestar contas, e ajudar as audiências a compreenderem o mundo à sua volta.” 

“Este questionamento vem na forma de inquéritos, pelos governos de alguns países, quanto à sustentabilidade futura de um jornalismo de qualidade (com recomendações a respeito do que pode ser feito para o apoiar). Mas vem ainda de partes do público que sentem que o jornalismo fica, com frequência, aquém daquilo que as pessoas esperam dele.”  (...) 

A participação portuguesa no relatório é da responsabilidade do OberCom e do ISCTE, sendo coordenada por Ana Pinto Martinho, Miguel Paisana e Gustavo Cardoso.

Mais informação no Jornal de Negócios.

introdução e principais conclusões do relatório,  o capítulo sobre Portugal  e o texto completo em pdf.

 

A preocupação do público relativamente à desinformação (fake news)  “continua bastante alta, com uma média de 55% nos 38 países analisados, sendo que a Holanda é o país que manifesta menos receios em relação a esta matéria”, com apenas 13%.

O relatório aponta ainda que cresceu o número de pessoas que evitam ler notícias, chegando ao que é descrito como “rejeição”:

“No Reino Unido, mais de metade dos que evitam notícias dizem que elas os fazem sentir tristes, enquanto outros dizem que se sentem sem poder para mudar o que acontece.”  (...)

Rasmus Nielsen, presidente do Instituto Reuters, diz que “as boas notícias são que os editores que produzem jornalismo distinto, valioso e confiável, estão a ser recompensados com sucesso comercial. As más notícias são que as pessoas acham que muito do jornalismo com o qual se cruzam não tem valor, não é de confiança e não vale a pena pagar por ele.” 

“É bem possível que isto também esteja relacionado com o mar de informação em que os consumidores se sentem mergulhados e com a aparente incapacidade dos meios de comunicação social de explicar o que se passa.” 

Segundo o estudo da Reuters, “cerca de dois terços sentem que os media são bons a manter as pessoas actualizadas (62%), mas menos a ajudá-las a compreender as notícias (51%). Menos de metade (42%) acha que os media estão a desempenhar um bom papel em controlar os ricos e poderosos  - e na Hungria este número baixa para 20%.” 

No capítulo sobre Portugal é revelado que “a sustentabilidade dos grupos e empresas de media continua a ser difícil, com o financiamento para a inovação vindo frequentemente de iniciativas como a Digital News Initiative, da Google”: 

“Em 2018, a DNI financiou cinco projectos portugueses com um total de 1,4 milhões de euros (a Media Capital, a Cofina, o Diário de Notícias, o Observador e um projecto-piloto de uma start-up chamada The Mosted, que projecta oferecer aos jornalistas métricas em tempo real, à medida que escrevem.”  (...) 

O sumário de apresentação do relatório, assinado por Nic Newman, afirma que “a polarização política encorajou o crescimento de agendas online partidárias, o que, associado ao clickbait e a várias formas de desinformação, contribui para abalar ainda mais a confiança nos media  -  levantando novas questões sobre como proporcionar uma cobertura equilibrada e imparcial na era digital”.  (...) 

“No meio de toda esta mudança frenética, alguns começam a questionar se o jornalismo continua a cumprir a sua missão fundamental de chamar os poderosos a prestar contas, e ajudar as audiências a compreenderem o mundo à sua volta.” 

“Este questionamento vem na forma de inquéritos, pelos governos de alguns países, quanto à sustentabilidade futura de um jornalismo de qualidade (com recomendações a respeito do que pode ser feito para o apoiar). Mas vem ainda de partes do público que sentem que o jornalismo fica, com frequência, aquém daquilo que as pessoas esperam dele.”  (...) 

A participação portuguesa no relatório é da responsabilidade do OberCom e do ISCTE, sendo coordenada por Ana Pinto Martinho, Miguel Paisana e Gustavo Cardoso.

 

 

Mais informação no Jornal de Negócios.

introdução e principais conclusões do relatório,  o capítulo sobre Portugal  e o texto completo em pdf.

Connosco
A era digital e as alterações do conceito de jornalista Ver galeria

Com as vagas de desinformação que começaram a circular “online” nos últimos anos, passou a ser necessário partilhar, com eficácia e clareza, as definições de “notícia” e de “jornalista”, para que o público consiga acompanhar as profundas transformações do mundo mediático,  considerou Sabine Righetti num artigo publicado no“Observatório da Imprensa, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, explicou a autora, se, há dez anos, a produção noticiosa era um papel exclusivo do jornalista, que colaborava com títulos informativos, actualmente, qualquer um pode escrever um artigo, partilhando-o através das redes sociais.

Ou seja, hoje em dia, é preciso ressalvar que nem todo o utilizador da internet que partilha uma peça, de cariz informativo, pode ser considerado um jornalista. E que, por outro lado, nem todo o cidadão com actividade declarada como jornalística cumpre as normas deontológicas, confundindo-se, por vezes, com um activista.

Portanto, considera Righetti, há,  agora, uma hibridização do conceito.

Por isso mesmo, definir quem é, ou não, um jornalista, é uma tarefa cada vez mais difícil de concretizar, explicou a autora. Isto porque, já nem os documentos legais são considerados válidos, perante o panorama actual.

Neste âmbito,  Righetti recorda que, no Brasil, conceito de jornalismo foi definido  por um decreto, de Março de 1979, que instituiu que a profissão de jornalista compreendia actividades como “redacção, condensação, titulação, interpretação, correcção ou coordenação de informação a ser divulgada” ou “comentário ou crónica, a serem partilhados através de quaisquer veículos de comunicação”.

Além disso, naquela época, a “empresa jornalística” era um elemento central da actividade. O jornalismo, então, era tudo aquilo feito nos  “media” formais. 

E mais: o exercício da profissão de jornalista, de acordo com a legislação, exigia o registo prévio no Ministério do Trabalho, mediante a apresentação do comprovativo de nacionalidade brasileira, do  diploma de curso superior de jornalismo e da carteira de trabalho.

Em  2009, relembra a autora, o STF (Supremo Tribunal Federal) retirou a exigência do diploma para o exercício da profissão. Ainda assim, as empresas de jornalismo contratavam, na sua maioria, colaboradores especializados para fazer jornalismo.

Só que o jornalismo, continua Righetti, cada vez mais, começou a sair das “empresas jornalísticas” e ganhou outros espaços que a legislação das décadas de 1960 e 1970 jamais poderia ter previsto.


Os leitores de imprensa e o que procuram nos títulos informativos Ver galeria

Os leitores de notícias podem dividir-se em seis categorias, dependendo das suas necessidades e interesses, concluiu um relatório do “Financial Times”, citado pelo"Laboratório de Periodismo”,  cujas conclusões podem ajudar outros “media” a reter subscritores.

De acordo com o estudo, por norma, os cidadãos consultam os títulos informativos com um de seis objectivos: manterem-se actualizados, alargarem a sua contextualização sobre o mundo que os rodeia; educarem-se sobre um determinado tópico ou personalidade; divertirem-se através de artigos lúdicos ou actividades didácticas; inspirarem-se ao lerem histórias sobre alguém que superou adversidades; e seguirem as tendências do mundo ‘online’.

Assim, a fim de terem sucesso junto do público, explica o documento, os jornais devem identificar a categoria com a qual a maioria dos seus leitores se identifica, para que possam continuar a captar o seu interesse, gerando um maior número de subscrições e, consequentemente, mais receitas.

O “Financial Times” realizou esta experiência junto de três editoras distintas, ajudando-as a compreender aquilo que poderiam fazer para optimizar a interacção com o público.

A editora 1, por exemplo, concluiu que 40% dos artigos que produzia eram da categoria “actualize-me”, mas que estes geravam, apenas, 13% de visualizações de página. Por outro lado, os artigos da categoria “entretenimento” representavam 19% do total de artigos publicados, mas, geravam 43% das interacções.


O Clube



Este espaço do Clube Português de Imprensa vai fechar para férias durante o mês de Agosto.
É uma opção adoptada desde o lançamento do site em Novembro de 2016.
Recorde-se que o site se divide em três grandes áreas de conteúdos, com uma coluna de opinião a cargo de jornalistas e investigadores das Ciências de Comunicação, resumos informativos e propostas de reflexão sobre as grandes questões que se colocam hoje na paisagem mediática e à função jornalística.
O site do CPI conta, ainda, com as parcerias do Observatório de Imprensa do Brasil e da Asociacion de la Prensa de Madrid, dos quais publica regularmente trabalhos de análise em diferentes perspectivas, desde a ética profissional aos efeitos das mudanças tecnológicas.
O CPI, associação reconhecida de Utilidade Pública fundada em Dezembro de 1980, integra o Prémio Helena Vaz da Silva, instituído conjuntamente com o CNC-Centro Nacional de Cultura e Europa Nostra, e lançou em 2017 o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares.
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, cuja atribuição foi interrompida devido à pandemia, destina-se a jornalistas e à imprensa de língua portuguesa de todo o mundo, "em suporte papel ou digital", de acordo com o regulamento.

Ao concluir mais um ciclo de actividade do Clube e do site em particular, é muito gratificante saber que, apesar dos sobressaltos e das incertezas que afectam os media, o número de frequentadores habituais deste espaço tem vindo sempre a aumentar e a consolidar-se, designadamente, na sua visibilidade internacional, medida pela Google Analytics.

Aos associados, amigos e visitantes deste site o CPI deseja boas férias! E até Setembro.


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