Quarta-feira, 27 de Janeiro, 2021
Efeméride

“Correio dos Açores” festeja o centenário em Maio

A imprensa açoriana tem razões para estar em festa. Depois do “Diário dos Açores”, em Maio próximo, será a vez do semanário “Correio dos Açores”  celebrar o seu centenário, consolidando uma invejável posição de ser um dos jornais portugueses mais antigos.

 A Wikipedia elucida-nos que o semanário açoriano teve a sua génese no jornal "República", fundado em 1910 por partidários do regime republicano, com Francisco Luís Tavares à cabeça. Passados nove anos, Tavares juntou-se a José Bruno Carreiro para fundar o "Correio dos Açores", mantendo a linha editorial, que visava “patentear ao público a orientação das novas autoridades e a sua motivação perante os sucessivos problemas, derivados do evoluir nacional e internacional."

O periódico foi o órgão da imprensa açoriana que mais se empenhou na "Campanha Autonomista”, constituindo uma tribuna onde se encontravam todas as correntes de opinião. Assim, contribuiu para o Decreto Autonomista, de 16 de fevereiro de 1928, que perspectivava a descentralização de serviços na Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. 

Com a ascensão do Estado Novo, a unidade e a autonomia açoriana e, através da mobilização da opinião pública, montou o Primeiro Congresso Açoriano, em 1938, para “delinear o projecto de unidade das ilhas”. 

Outro marco significativo da história do periódico foi a ocupação, em 1975,  “pelos trabalhadores, que se tornaram sócios (do jornal)”, comprado em 1976 por um grupo de personalidades em que se incluía Américo Natalino Viveiros, o actual director.


Em 2010, com a celebração dos 90 anos, o “Correio dos Açores”, preparava-se para enfrentar os desafios do futuro, apostando na versão digital do jornal, mas preservando em papel o título que“nasceu para defender a autonomia e a unidade das ilhas”.

 

Por essa altura, Natalino Viveiros lembrava que  “o aparecimento da Internet e, em particular, dos blogues, onde todos  querem ser jornalistas, começou a fazer o funeral dos jornais, mas a realidade  é que o jornalismo actual vai consolidar o seu lugar na sociedade de informação”.

 

Actualmente, o jornal dedica-se, principalmente, à reportagem sobre assuntos de interesse regional, e dá destaque às mais diversas modalidades do desporto açoriano.

 

 
Connosco
Restrições à liberdade de imprensa no Brasil preocupam os RSF Ver galeria

O ano passado foi desastroso para a liberdade de imprensa no Brasil, frisou um relatório da organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras (RSF).

De acordo com o estudo, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, bem como três dos seus filhos, que actuam na área da política, foram responsáveis por 469 ataques contra jornalistas, número que corresponde a 85% do total registado no país.

O maior número de ataques partiu do deputado federal Eduardo Bolsonaro, com 208 infracções, seguido do chefe de Estado (103), do vereador Carlos Bolsonaro (89) e do senador Flávio Bolsonaro (69).

Ademais, 11 dos 22 ministros de Bolsonaro criticaram a imprensa em 2020. Damares Alves, chefe da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, foi a principal “agressora” (19 ataques), seguindo-se-lhe o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub (17).

O relatório dos Repórteres Sem Fronteiras observou, da mesma forma, que as redes sociais foram as plataformas preferidas para a ofensiva realizada.

De acordo com a organização, a hostilidade do “sistema Bolsonaro” reflecte “como o Presidente, a sua família e os seus partidários refinaram, no último ano, um sistema focado na descredibilização da imprensa e no silenciamento de jornalistas críticos e independentes, considerados inimigos do Estado“.

 

Onde se recomendam novas regras para protecção dos jornalistas Ver galeria

Com o agravamento dos ataques aos profissionais de “media”, as redacções estão a alterar algumas das suas directivas éticas, para garantir a segurança dos seus colaboradores, notou Kelly McBride num artigo publicado no “site” do Instituto Poynter.

De acordo com a autora, as redacções recomendam, agora, que os jornalistas evitem utilizar indumentárias que os identifiquem enquanto colaboradores do sector mediático. O mesmo se aplica a veículos e material de reportagem, que não devem incluir logotipos das empresas de comunicação.

Neste sentido, as redacções alertam que pedir entrevistas pode ser arriscado, especialmente durante a cobertura de manifestações.

Assim, nestas circunstâncias, os profissionais devem estar sempre acompanhados, e observar os comportamentos dos cidadãos que pretendem entrevistar, evitando aqueles que mostrem sinais de antipatia perante os “media”.

Por outro lado, os jornalistas devem ter as respectivas credenciais, para mostrarem às autoridades, caso necessário.

Os fotojornalistas devem evitar, igualmente, situações de risco. Assim, sugere-se que estes profissionais captem imagens a partir de edifícios ou com uma câmara aérea. Se não houver essa possibilidade, o material de reportagem deve ser discreto.

O Instituto Poynter ressalva, ainda, que os jornalistas “freelancer” são o principal “grupo de risco”. Por isso, é recomendável que façam a cobertura de manifestações acompanhados por outros colegas de profissão.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Notas breves
José Leite Pereira
1 - Assistir a entrevistas na televisão tornou-se um ato penoso. As entrevistas fizeram-se para que alguém possa transmitir a terceiros o que entende dever ser transmitido. Ao jornalista cabe o papel de intermediário e intérprete do que julga ser a curiosidade do público. A entrevista é um ato de esclarecimento. Diferente de um texto de opinião ou de uma comunicação pura e simples exatamente por causa da presença do...
Agenda
27
Jan
Investigação e Escrita de Não-ficção
11:00 @ Cenjor -- Sessões síncronas "online"
01
Fev
Iniciação à Fotografia
10:00 @ Cenjor
23
Fev
Westminster Forum Projects: O futuro da BBC
10:00 @ Conferência "online"
28
Set
World News Media Congress
09:00 @ Taipei, Taiwan