Quarta-feira, 5 de Agosto, 2020
Efeméride

“Correio dos Açores” festeja o centenário em Maio

A imprensa açoriana tem razões para estar em festa. Depois do “Diário dos Açores”, em Maio próximo, será a vez do semanário “Correio dos Açores”  celebrar o seu centenário, consolidando uma invejável posição de ser um dos jornais portugueses mais antigos.

 A Wikipedia elucida-nos que o semanário açoriano teve a sua génese no jornal "República", fundado em 1910 por partidários do regime republicano, com Francisco Luís Tavares à cabeça. Passados nove anos, Tavares juntou-se a José Bruno Carreiro para fundar o "Correio dos Açores", mantendo a linha editorial, que visava “patentear ao público a orientação das novas autoridades e a sua motivação perante os sucessivos problemas, derivados do evoluir nacional e internacional."

O periódico foi o órgão da imprensa açoriana que mais se empenhou na "Campanha Autonomista”, constituindo uma tribuna onde se encontravam todas as correntes de opinião. Assim, contribuiu para o Decreto Autonomista, de 16 de fevereiro de 1928, que perspectivava a descentralização de serviços na Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. 

Com a ascensão do Estado Novo, a unidade e a autonomia açoriana e, através da mobilização da opinião pública, montou o Primeiro Congresso Açoriano, em 1938, para “delinear o projecto de unidade das ilhas”. 

Outro marco significativo da história do periódico foi a ocupação, em 1975,  “pelos trabalhadores, que se tornaram sócios (do jornal)”, comprado em 1976 por um grupo de personalidades em que se incluía Américo Natalino Viveiros, o actual director.


Em 2010, com a celebração dos 90 anos, o “Correio dos Açores”, preparava-se para enfrentar os desafios do futuro, apostando na versão digital do jornal, mas preservando em papel o título que“nasceu para defender a autonomia e a unidade das ilhas”.

 

Por essa altura, Natalino Viveiros lembrava que  “o aparecimento da Internet e, em particular, dos blogues, onde todos  querem ser jornalistas, começou a fazer o funeral dos jornais, mas a realidade  é que o jornalismo actual vai consolidar o seu lugar na sociedade de informação”.

 

Actualmente, o jornal dedica-se, principalmente, à reportagem sobre assuntos de interesse regional, e dá destaque às mais diversas modalidades do desporto açoriano.

 

 
Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Opinião
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Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena