Quinta-feira, 6 de Agosto, 2020
Estudo

Relatório do Obercom aborda questões de literacia mediática

A desinformação tem sido, nos últimos anos, uma das principais preocupações dos “media” e das democracias, já que as redes sociais têm contribuído para a proliferação de notícias falsas, enquanto boa parte da população tem dificuldade em identificar informação fidedigna.

Como tal, diversas entidades têm apostado em iniciativas de literacia mediática, que pode ser definida como a capacidade de identificar diferentes tipos de “media” e compreender as mensagens que estão a ser enviadas. 

Para perceber a importância destes “workshops”, o Obercom realizou um estudo de profundidade, através do qual apurou quais as suas linhas gerais de actuação.

Em Portugal há, de momento, dez projectos activos :  Referencial de Educação para os Media ; Observatório sobre Media ; Informação e Literacia (Milobs) ; Media Smart, Literacia para os Media e Jornalismo ;  Media Veritas ; Media Coach Portugal ; Público na Escola ; RTP Ensina e Página 23.

Da mesma forma, existem diversas iniciativas desta índole a nível internacional, promovidas tanto por Governos, organizações sem fins lucrativos ou por empresas tecnológicas como a Google e o Facebook

De acordo com o relatório, em Portugal os “workshops” de literacia mediática passam, sobretudo, por capacitar crianças em idade escolar com noções básicas sobre o que é uma notícia, o jornalismo e, sobretudo, o que é a desinformação e como detectá-la.

Há, também, projectos de formação para professores.

Registou-se, igualmente, uma aposta crescente na educação informal, através de ferramentas “online”, ou de acções de sensibilização em bibliotecas e museus.


A nível internacional destaca-se o Media and Information Literacy (MIL) – desenvolvido e apoiado pela UNESCO –, que se prende com as próprias habilidades de interpretação, compreensão crítica e expressão da criatividade por meio dos “media” digitais, procurando potenciar, em alunos, uma constante abordagem crítica que leve a uma participação significativa nas comunidades em que os indivíduos se inserem. 


O MIL reúne três dimensões distintas – literacia da informação, literacia de media e TIC, e literacia digital –, sendo que, procurando actuar como um conceito abrangente, capacita pessoas, comunidades e nações a participar e contribuir com as sociedades globais do conhecimento. 


À semelhança do que acontece em Portugal, um dos aspectos mais importantes do projecto é o desenvolvimento do sistema de educação. 

Para tal, é apresentado um referencial para professores e, consequentemente, para auxiliar na aprendizagem dos jovens.


Entre os elementos-chave destas aulas estão a definição e articulação de necessidades informacionais, localização e acesso à informação, uso ético da informação, assim como a compreensão do papel e das funções dos “media” em sociedades democráticas.


Até agora, a Suécia foi o país europeu que mais apostou na implementação do MIL nas escolas.


Quanto a empresas de tecnologia, o Facebook desenvolveu um “site” que disponibiliza lições, para ajudar os mais jovens – dos 11 aos 18 anos – a desenvolver competências para “navegar” no mundo digital, a analisar de forma crítica a informação consumida, e a responsabilizarem-se pela criação e partilha de conteúdo. Desenhadas para serem interativas e envolventes, estas lições envolvem discussões em grupo, questionários e jogos.


O Google, por sua vez, disponibilizou 109 lições, que poderão ser filtradas mediante os anos escolares.  Existem, por exemplo, aulas sobre questões  e competências mais práticas, como saber fazer arte com o Google Sheets.


De notar que todos estes projectos são realizados com recurso a ferramentas digitais.


Ora, de acordo com o relatório, a profusão de projectos e organizações dedicadas a literacia dos “media”, ajudam a provar, por um lado, a importância que o tema tem na sociedade e nos indivíduos, e, por outro, a consciência de muitos dos países e organismos em fazer deste tema relevante e necessário nas sociedades. 


Ao longo dos anos, as organizações consideraram importante disponibilizar aos cidadãos – nomeadamente a professores e educadores – ferramentas e orientações que ajudassem a esclarecer, individual e colectivamente, este tema.


Ao mesmo tempo, e tendo em conta as iniciativas analisadas, destaca-se a importância da formação contínua de professores,  visando melhorar a sua capacidade pedagógica e a adaptação a gerações vindouras.


Leia o artigo original em Obercom

Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Opinião
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Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena