Sábado, 15 de Agosto, 2020
Opinião

Tik Tok - A ameaça ao Facebook que vem da China

por Manuel Falcão

Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades.

Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se de uma rede social que permite criar vídeos curtos (numa espécie de mistura entre o Instagram, o snapchat e o falecido Vine). Os vídeos devem ter entre 15 segundos e um minuto e são sempre no formato vertical, correspondente aos ecrãs dos smartphones.

Actualmente, em termos mundiais, o Tik Tok tem quase dois mil milhões de utilizadores, 56% dos quais são do sexo feminino e que fazem uma média de 13 acessos por dia à rede, gastando nela 65 minutos diários.

Em Portugal os números já são também significativos: 1,8 milhões de utilizadores, 65% dos quais mulheres, com uma média de sete acessos por dia e 50 minutos de utilização diária. 12% dos utilizadores portugueses têm entre 13 e 14 anos, 32% entre 14 e 18 anos, 36% entre 19 e 24 anos e 20% estão acima dos 25 anos. Em Portugal o crescimento verificou-se sobretudo em Março e Abril deste ano, os meses fortes do confinamento, onde se registou um aumento de 36% de utilizadores.

 

 

Criado na China em 2016, o TikTok faz parte da Bytedance, a mais valiosa start-up digital, que está avaliada em 78 mil milhões de dolares. Na base do TikTok está outra app, criada em 2014, na China, com o nome Musical.ly. Apresentava-se como a “maior plataforma de criatividade do mundo”. Criada por uma start-up de Shangai (sediada na Califórnia) de redes sociais pensadas para os adolescentes americanos, a aplicação de vídeos teve sucesso imediato.  O Tik Tok oferece todas as possibilidades das outras redes sociais: tal como o Instagram, é possível enviar mensagens privadas e seguir os utilizadores, comentar, gostar e partilhar publicações e o registo é feito diretamente na app ou através dos dados do Facebook, Google ou Twitter. 

 

A audiência do TikTok vem de jovens que se fartaram de outras redes sociais, como o Facebook por exemplo, e até há pouco tempo era raro encontrar utilizadores com mais de 25 anos No início deste ano o TikTok foi a aplicação que teve maior numero de downloads fora do universo muito especifico dos jogos on line e a rapidez de crescimento da nova rede levou o próprio Mark Zuckerberg a manifestar preocupação pela inesperada concorrência que lhe está a roubar utiliadores ao Feacebook.

 

A resposta não se fez esperar e, entretanto, Zuckerberg lançou uma aplicação rival, a Lasso, que no entanto não tem tido grande êxito. O Tik Tok continua a crescer em todo o mundo e há poucas semanas contratou Kevin Mayer, um veterano da Walt Disney, para dirigir toda a sua operação como CEO.

 

O período de crescimento das novas aplicações é cada vez mais curto – a dúvida está em saber se conseguem manter um ciclo de vida que lhes permita monetizar o negócio e tornarem-se mais uma potência global como veículo publicitário, à semelhança do que já acontece com Google, Facebook e Amazon.


Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena