Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
Media

Estudo do Centro para o Pluralismo e Liberdade nos Media dá nota mediana a Portugal

Está pronto, e vai ser divulgado, o estudo relativo a 2015 do Monitor de Pluralismo nos Media, um projecto do Centro para o Pluralismo e Liberdade nos Media, do Instituto Universitário Europeu. Segundo Francisco Rui Cádima, da Universidade Nova de Lisboa, que coordena a parte relativa a Portugal, o nosso País aparece em níveis médios nos diversos parâmetros de risco considerados neste trabalho. 

A análise debruça-se sobre 19 países da União Europeia, depois de uma experiência no ano anterior com apenas nove. “Os resultados mostram que nenhum está livre de riscos”, lê-se nas conclusões. Em 2016 far-se-á o retrato dos 28 países da União.

Segundo o Público, que cita o referido trabalho, a liberdade de expressão, o direito à informação e o exercício da profissão de jornalista estão razoavelmente protegidos em Portugal. Já no capítulo da “politização” e da “concentração de propriedade” identificam-se mais problemas: 

“Não se sabendo exactamente quem são os verdadeiros donos de algumas empresas de comunicação social  — em certos casos a sua identificação esbarra em offshores —, também não é possível perceber o nível de influência exercida pelos políticos, conclui o estudo. (…)  Numa escala que vai de zero a 100, conforme se constate ausência de risco, ou risco máximo, o estudo atribui uma classificação de “risco médio” (62%) de politização dos media portugueses. “Há indicações (embora sem evidência clara) que empresas ou proprietários dos media influenciam ou procuram influenciar o conteúdo editorial dos operadores [de rádio ou TV] ou da imprensa”, dizem os autores. (…)

Já o nível de risco no indicador “independência das agências noticiosas” é apontado como sendo “médio” (50%) pelo facto de o Estado ter uma quota de 50,14% na Lusa

“Em termos de resultados dos grandes indicadores e categorias acabamos por ficar mais ou menos bem na fotografia”, resumiu ao Público Francisco Rui Cádima. “Não devem ser muitos os casos de países que não apresentam um nível de ‘alto risco’” em questões fundamentais como a transparência ou independência, acrescenta o investigador. 

“Portugal parte de uma base sólida: tem um quadro regulatório que monitoriza questões chave do sector, como a transparência da propriedade, o pluralismo e o serviço público de media, que a ERC analisa anualmente. E as alterações ao serviço público de rádio e televisão, do anterior Governo, que criou o Conselho Geral Independente para a RTP, poderão, dizem os investigadores, ajudar a aumentar as garantias de isenção.” 

“A liberdade de expressão, o direito à informação e o exercício da profissão de jornalista estão razoavelmente protegidos pela lei e pela acção dos reguladores, considera-se também. Já no caso das condições de trabalho dos jornalistas, são assinaladas “irregularidades” no pagamento de salários e precariedade nos vínculos laborais.” 

Mais informação no Público e no site da Comissão Europeia

 

Connosco
A civilização da pós-verdade está de ressaca e não anda nada bem Ver galeria

Convém recordar os factos recentes: “Em Setembro de 2016, o semanário inglês The Economist saiu com uma capa sobre a ‘pós-verdade’, e até ali tudo bem. No final do mesmo ano, o termo ‘pós-verdade’ foi declarado ‘a palavra do ano’ pelo Dicionário Oxford, como um qualificativo de ‘um ambiente em que os factos objectivos têm menos peso do que apelos emocionais ou crenças pessoais em formar a opinião pública’. A questão, como se nota, não é bem ‘a verdade’  – filosófica, ontológica, metafísica, religiosa etc. –, mas os factos. Esse é o ponto.”

É nestes termos esclarecedores que se pronuncia o editorial  - intitulado “Da pós-verdade à pós-imprensa” -  da Revista de Jornalismo da ESPM, a edição brasileira da Columbia Journalism Review, cujo conteúdo produzido no Brasil passa a ser publicado no Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O que nos traz e o que nos pode tirar a chegada dos “robots” Ver galeria

Quase metade das actividades humanas hoje praticadas em Espanha podiam ser desempenhadas por robots, e 60% dos empregos actuais já são “automatizáveis” em, pelo menos, 30% por cento da sua produção. Estes dados, de um recente estudo sobre “A reinvenção digital de Espanha”, relançam um debate onde se cruzam expectativas de mais progresso tecnológico com temores de mais desemprego, além de sugestões que parecem, de momento, saídas da ficção científica.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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