Terça-feira, 21 de Setembro, 2021
Media

Rússia intensifica restrições ao jornalismo independente

As autoridades russas classificaram o “site” de jornalismo independente “Proekt” como “indesejável”, banindo a actividade da plataforma a nível nacional, e atribuindo aos seus colaboradores o estatuto de “agentes estrangeiros”, denunciou o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).

Desta forma, quaisquer relações comerciais ou pessoais com o “site” passaram a ser consideradas ilegais.

“Ao banirem o ‘Proekt” e ao adicionarem novos nomes à lista de ‘agentes estrangeiros’, as autoridades russas parecem querer silenciar as últimas vozes independentes do país”, afirmou Gulzona Said, coordenadora do CPJ, acrescentando que “as intenções do governo deveriam ser revistas, de forma a proteger a liberdade de imprensa”.

Recentemente, foram introduzidas emendas ao código criminal russo, que prevêm penas de prisão, até quatro anos, para os jornalistas que colaborem com “media” indesejados, ou de até seis anos, para os profissionais que forem considerados culpados de “organizar essas actividades”.

Da mesma forma, os jornalistas ou “media” classificados como “agentes estrangeiros” podem enfrentar diversas restrições a nível financeiro.

De acordo com Mikhail Rubin, antigo editor-executivo da publicação, estas medidas são, provavelmente, uma resposta às investigações realizadas pelo título sobre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu círculo mais próximo.

Desde o seu lançamento, em 2018, o “Proekt” tem publicado investigações sobre a fortuna de diversos políticos russos, incluindo o líder da Chechénia, Ramzan Kadyrov.


Estas histórias têm motivado perseguições aos jornalistas de “Proekt” que, nos últimos meses, foram alvo de interrogatórios criminais.


Este tipo de acções restritivas é comum na Rússia, que se encontra em 150º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, entre um total de 180 países.

Connosco
UE quer proteger a liberdade dos “media” e dos jornalistas... Ver galeria

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou, que vai propor, em 2022, “uma lei sobre a liberdade dos meios de comunicação social”, com o objectivo de garantir a “proteção”, “liberdade” e “independência” dos jornalistas.

“No próximo ano, apresentaremos uma lei sobre a liberdade dos meios de comunicação social. Quando defendemos a liberdade dos nossos ‘media’, estamos também a defender a democracia”, indicou Ursula von der Leyen, durante o discurso do Estado da União, no Parlamento Europeu.

Afirmando que “há jornalistas, homens e mulheres, que são atacados pelo simples facto de fazerem o seu trabalho”, a presidente da Comissão Europeia relembrou os homicídios da jornalista maltesa Daphné Caruana Galizia, do jornalista eslovaco Jan Kuciak e, em Julho deste ano, do holandês Peter de Vries.

“As suas histórias podem ter pequenas diferenças. Mas há algo que têm em comum: todos eles lutaram pelo nosso direito à informação e morreram por defenderem esse direito”, salientou Von der Leyen.

A presidente do executivo comunitário considerou, assim, que a “informação é um bem público” e que é necessário “defender os defensores da transparência, as mulheres e os homens jornalistas”.

“Devemos travar todos aqueles que ameaçam a liberdade dos ‘media’. Os meios de comunicação social não são uma empresa qualquer e a sua independência é fundamental. É por isso que a Europa precisa de uma lei que garanta essa independência”, apontou a presidente do executivo comunitário.

 

... E Bruxelas recomenda aos Estados-membros maior protecção para os jornalistas Ver galeria

A Comissão Europeia quer que as autoridades policiais dos Estados-membros recebam formação para garantir que os jornalistas e outros profissionais dos “media” possam trabalhar em segurança, nomeadamente, durante a cobertura noticiosa de manifestações,.

Além disso, na sua primeira recomendação destinada a reforçar a segurança dos jornalistas e de outros profissionais da comunicação social, o executivo comunitário apelou aos países que investigassem e reprimissem todos os actos criminosos contra jornalistas, recorrendo à legislação nacional e europeia e às autoridades como Europol e Eurojust.

Nesse contexto, indica um comunicado da CE, “os Estados-membros devem promover uma melhor cooperação entre as autoridades responsáveis pela aplicação da lei e os organismos da comunicação social, a fim de poderem identificar e combater, mais eficazmente, as ameaças que pesam sobre os jornalistas, e proporcionar uma protecção pessoal aos jornalistas, cuja segurança esteja ameaçada”.

A Comissão encoraja, ainda, à fomentação da cooperação entre as plataformas em linha e as organizações especializadas no combate às ameaças contra os jornalistas.

“Nenhum jornalista deve perder a vida ou ser ferido devido à sua profissão. Temos de apoiar e proteger os jornalistas, que são elementos essenciais da democracia”, disse a comissária europeia para os Valores e Transparência, Vera Jourova, acrescentando que os Estados-membros são convidados “a adoptar medidas decisivas para tornar a UE um espaço mais seguro”.

 

O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


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O que une radicais de direita e de esquerda
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Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
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