null, 5 de Dezembro, 2021
O Clube

O Orçamento e a urgência de reanimação dos “media”


Conhecidas as propostas do governo para o Orçamento de Estado, verifica-se que o sector dos media continua a ser o “parente pobre”, sem atrair medidas de reanimação capazes de corrigirem e de equilibrarem o plano inclinado em que se encontra a maioria das empresas jornalísticas, já periclitantes antes de serem fortemente flageladas pela pandemia.
O Sindicato dos Jornalistas lamenta-o e estranha que o OE ignore “completamente as dificuldades da comunicação social”. As associações do sector, como é o caso do CPI, certamente não menos.
O documento é omisso em medidas de apoio, que possam contribuir para inverter o declínio das vendas de jornais e revistas, sem pôr em causa a independência das publicações.
O bom jornalismo não precisa de ser subsidiado, mas implica redacções ágeis e com capacidade de resposta, que não dependam das redes sociais para medirem a realidade.
Com as contas no “vermelho”, as empresas editoriais não dispõem , contudo, de meios nem de condições propícias ao investimento, por exemplo, na reportagem de investigação.
Os jornalistas saem cada vez menos e a pandemia, com o teletrabalho, mais acentuou esse défice de contacto com o exterior.
É impossível não concordar com o SJ quando este defende várias medidas, como a criação de um voucher de 20 euros por agregado familiar para assinaturas ou compra de jornais e revistas, o desconto do IVA de produtos de media no IRS e a oferta de jornais ou de uma assinatura digital a todos os jovens que completem 18 anos.
Salva-se apenas a digitalização, a única que tem verbas disponíveis no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR). É importante. Mas não é exclusivamente por aí que se salvam os media em sérias dificuldades, que lutam pela sobrevivência. E que são um pilar da democracia. Eis um debate urgente ao qual nos associamos.

Connosco
Relatório analisa “perfil dos jornalistas brasileiros” Ver galeria

A presença de minorias étnicas no jornalismo no Brasil cresceu de 23% em 2012 para 30% em 2021, reflectindo a eficácia de projectos para alargar o acesso dos jovens ao ensino superior, apontou o estudo “Perfil dos Jornalistas Brasileiros”, que contou com a participação de mais de 7 mil profissionais.

Por outro lado, de acordo com o mesmo relatório, algumas das tendências do mercado brasileiro mantiveram-se, praticamente, inalteradas. A título de exemplo, tal como se registou em 2012, a maioria dos jornalistas são mulheres (58%), brancas (68%) e solteiras (53%).

No que diz respeito às faixas etárias, a presença de jovens ainda é muito significativa (30% têm entre 18 a 30 anos, enquanto outros 30%, têm entre 31 e 40 anos).

Ainda assim, registou-se um aumento do número de profissionais com mais de 41 anos.

Além disso, demonstra o relatório, o jornalismo continua a ser uma profissão mal remunerada, com cerca de 60% dos profissionais a receberem menos de 5,5 mil reais por mês (cerca de 860 euros). Aliás, apenas 12% dos entrevistados disseram receber mais do que 11 mil reais (cerca de 1721 euros).

Destaca-se, também, neste sentido, que os níveis de precariedade têm vindo a aumentar, uma vez que, actualmente, apenas 45,8% dos profissionais inquiridos disseram ter vínculos contratuais.

A transparência como regra para melhorar níveis de confiança dos “media” Ver galeria

As noções de neutralidade e de objectividade, que associamos à prática ética do jornalismo, podem estar afectar os níveis de confiança dos “media” e, consequentemente, a prejudicar os consumidores de notícias, considerou a jornalista Clarissa Peixoto num artigo publicado, originalmente, na revista “ObjETHOS”, e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, conforme apontou a autora, tal como acontece com qualquer outro cidadão, as opiniões dos jornalistas são influenciadas pelas suas vivências, pelos seus processos de socialização, e pelo local onde cresceram.

Por isso mesmo, é errado assumir que os jornalistas e os “media” conseguirão manter um discurso totalmente objectivo.

Além disso, a fim de informarem, eficazmente, os seus leitores, os profissionais do jornalismo devem assegurar-se de que conseguem fazer uma contextualização de todos os factos, o que exige, por vezes, que estes colaboradores façam uma reflexão sobre injustiças sociais que se verificaram no passado.

Ora, de acordo com Peixoto, este tipo de prática pode ser confundido com activismo, já que, quando se sente impelido a escrever ou a falar sobre uma determinada causa, o jornalista acabará por registar o seu cunho pessoal.

Ainda assim, defende Peixoto, os jornalistas devem falar sobre todo e qualquer assunto de interesse público, embora possam vir a ser criticados pelos seus leitores, por empresas , ou mesmo pelos governos.

Isto porque, apontou a autora, a qualidade do jornalismo depende, em grande parte, da pluralidade de perspectivas e realidades.

O Clube


O associativismo já conheceu melhores dias. Ao contrário do que se observa aqui mesmo ao lado em Espanha, onde a APM – Associacion de la Prensa de Madrid – uma das mais antigas e conceituadas instituições ao serviço dos media, do jornalismo e dos jornalistas - desenvolve uma actividade multidisciplinar e intervém com regularidade no espaço público sobre problemas do sector, em Portugal as organizações de jornalistas são escassas e sobrevivem com não poucas dificuldades.
Há uma certa apatia dos profissionais em relação a associações onde deveriam estar representados, o que contribui para a falta de reconhecimento público da sua importância.
Claro que a precariedade que afecta as redacções e, em particular, os jornalistas mais jovens, não estimula o convívio e, menos ainda, a participação em debates regulares sobre o exercício da profissão e os seus condicionamentos.
E, no entanto, nunca foi tão urgente a análise sobre os desafios complexos que se colocam ao jornalismo, seja no plano ético, seja na interacção com os leitores/consumidores da informação, seja ainda no plano tecnológico, que tem progredido a um ritmo impressionante.
Hoje já se medem competências pelo número de “clicks” e há quem cultive a ideia de que um jornalista deverá ser remunerado em função da audiência que um seu texto mereça junto da comunidade de leitores. Uma perversão.
É para estes e outros temas conexos que o CPI continuará a olhar neste site e fora dele, porque uma democracia não se consolida sem jornais e outros media e um jornalista não pode ser substituído por um qualquer arrivista nas redes sociais.
Por isso teimamos em continuar, passados 40 anos.


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Opinião
Há bem pouco tempo, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) publicou um relatório alarmado com a insegurança que atinge um número crescente de jornalistas no exercício da sua actividade. E denunciou que, só este ano, já foram mortos 35 jornalistas por motivos relacionados com as suas práticas profissionais. Uma lista negra.A publicação deste documento da FIJ coincidiu com o Dia Internacional das...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
Agenda
14
Dez
Congresso Claves 2022
10:00 @ Madrid
17
Jan
Técnicas Fotográficas
18:30 @ Cenjor
09
Fev
Masterclass : Using data to tell stories
18:00 @ Conferência "Online" leccionada por Juliet Ferguson
31
Mar
Priorities for tackling fake news and improving media literacy
19:00 @ Conferencia "online" da Westminster Media Forum
06
Abr
International Journalism Festival 2022
10:00 @ Perúgia, Itália