null, 5 de Dezembro, 2021
Media

Jornal finlandês troca "cadeados" por "diamantes" para atrair assinantes

Com a era digital, vários jornais passaram a apostar nos conteúdos “online”, recorrendo às “paywalls” para obter receitas.

Este novo modelo de negócio foi introduzido um pouco por toda a Europa, incluindo na Finlândia, onde o jornal “Helsingin Sanomat” conta com a subscrição de 48% de todos os assinantes de produtos noticiosos do país.

Conforme apontou Hanaa Tameez num artigo publicado no “Nieman Lab”, o "Helsingin Sanomat” foi fundado em 1889, quando a Finlândia ainda integrava o Império Russo. Agora, este jornal é detido pelo Grupo Sanoma, que controla 40 outras marcas mediáticas naquele país.

Em 2016, continuou Tameez, os editores do “Helsingin Sanomat” chegaram à conclusão de que a “paywall” não estava a obter os resultados esperados.

Por isso mesmo, os responsáveis por aquela publicação começaram a analisar o tipo de conteúdos que deveriam ser exclusivos para subscritores e, em vez de os assinalarem com um “cadeado”, passaram a identificá-los através de um “diamante”.

“O símbolo do cadeado passou a ser reconhecido mundialmente enquanto um identificador da ‘Paywall’”, disse o editor-executivo, Kaius Niemi, em entrevista para o “Nieman Lab”. “Sentimos, contudo, que o cadeado não simboliza valor acrescentado no jornalismo, ou ‘storytelling’ avançado. Por outro lado, acaba por ter uma conotação negativa, já que fecha a porta a um potencial subscritor. Os diamantes, por sua vez, ilustram o trabalho árduo dedicado a cada história”.

Graças a estas iniciativas, a equipa editorial daquele jornal finlandês percebeu que estava a apostar em temáticas que não chamavam a atenção dos leitores, e decidiram investir em artigos sobre sociedade, cultura e “lifestyle”.

Actualmente, o “Helsingin Sanomat” tem, ainda, uma selecção diária de “diamantes do dia”, que traduzem as escolhas e preferências da equipa do jornal.


O crescimento das receitas do jornal permitiu apostar, ainda, na criação de oportunidades de emprego para jovens profissionais e estudantes de comunicação, bem como no desenvolvimento de novos formatos informativos “online”.


Através destas estratégias, o “Helsingin Sanomat” conta, agora, com mais de 400 mil subscritores. 


Connosco
Relatório analisa “perfil dos jornalistas brasileiros” Ver galeria

A presença de minorias étnicas no jornalismo no Brasil cresceu de 23% em 2012 para 30% em 2021, reflectindo a eficácia de projectos para alargar o acesso dos jovens ao ensino superior, apontou o estudo “Perfil dos Jornalistas Brasileiros”, que contou com a participação de mais de 7 mil profissionais.

Por outro lado, de acordo com o mesmo relatório, algumas das tendências do mercado brasileiro mantiveram-se, praticamente, inalteradas. A título de exemplo, tal como se registou em 2012, a maioria dos jornalistas são mulheres (58%), brancas (68%) e solteiras (53%).

No que diz respeito às faixas etárias, a presença de jovens ainda é muito significativa (30% têm entre 18 a 30 anos, enquanto outros 30%, têm entre 31 e 40 anos).

Ainda assim, registou-se um aumento do número de profissionais com mais de 41 anos.

Além disso, demonstra o relatório, o jornalismo continua a ser uma profissão mal remunerada, com cerca de 60% dos profissionais a receberem menos de 5,5 mil reais por mês (cerca de 860 euros). Aliás, apenas 12% dos entrevistados disseram receber mais do que 11 mil reais (cerca de 1721 euros).

Destaca-se, também, neste sentido, que os níveis de precariedade têm vindo a aumentar, uma vez que, actualmente, apenas 45,8% dos profissionais inquiridos disseram ter vínculos contratuais.

A transparência como regra para melhorar níveis de confiança dos “media” Ver galeria

As noções de neutralidade e de objectividade, que associamos à prática ética do jornalismo, podem estar afectar os níveis de confiança dos “media” e, consequentemente, a prejudicar os consumidores de notícias, considerou a jornalista Clarissa Peixoto num artigo publicado, originalmente, na revista “ObjETHOS”, e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, conforme apontou a autora, tal como acontece com qualquer outro cidadão, as opiniões dos jornalistas são influenciadas pelas suas vivências, pelos seus processos de socialização, e pelo local onde cresceram.

Por isso mesmo, é errado assumir que os jornalistas e os “media” conseguirão manter um discurso totalmente objectivo.

Além disso, a fim de informarem, eficazmente, os seus leitores, os profissionais do jornalismo devem assegurar-se de que conseguem fazer uma contextualização de todos os factos, o que exige, por vezes, que estes colaboradores façam uma reflexão sobre injustiças sociais que se verificaram no passado.

Ora, de acordo com Peixoto, este tipo de prática pode ser confundido com activismo, já que, quando se sente impelido a escrever ou a falar sobre uma determinada causa, o jornalista acabará por registar o seu cunho pessoal.

Ainda assim, defende Peixoto, os jornalistas devem falar sobre todo e qualquer assunto de interesse público, embora possam vir a ser criticados pelos seus leitores, por empresas , ou mesmo pelos governos.

Isto porque, apontou a autora, a qualidade do jornalismo depende, em grande parte, da pluralidade de perspectivas e realidades.

O Clube


O associativismo já conheceu melhores dias. Ao contrário do que se observa aqui mesmo ao lado em Espanha, onde a APM – Associacion de la Prensa de Madrid – uma das mais antigas e conceituadas instituições ao serviço dos media, do jornalismo e dos jornalistas - desenvolve uma actividade multidisciplinar e intervém com regularidade no espaço público sobre problemas do sector, em Portugal as organizações de jornalistas são escassas e sobrevivem com não poucas dificuldades.
Há uma certa apatia dos profissionais em relação a associações onde deveriam estar representados, o que contribui para a falta de reconhecimento público da sua importância.
Claro que a precariedade que afecta as redacções e, em particular, os jornalistas mais jovens, não estimula o convívio e, menos ainda, a participação em debates regulares sobre o exercício da profissão e os seus condicionamentos.
E, no entanto, nunca foi tão urgente a análise sobre os desafios complexos que se colocam ao jornalismo, seja no plano ético, seja na interacção com os leitores/consumidores da informação, seja ainda no plano tecnológico, que tem progredido a um ritmo impressionante.
Hoje já se medem competências pelo número de “clicks” e há quem cultive a ideia de que um jornalista deverá ser remunerado em função da audiência que um seu texto mereça junto da comunidade de leitores. Uma perversão.
É para estes e outros temas conexos que o CPI continuará a olhar neste site e fora dele, porque uma democracia não se consolida sem jornais e outros media e um jornalista não pode ser substituído por um qualquer arrivista nas redes sociais.
Por isso teimamos em continuar, passados 40 anos.


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Opinião
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O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
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Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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Congresso Claves 2022
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Masterclass : Using data to tell stories
18:00 @ Conferência "Online" leccionada por Juliet Ferguson
31
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Priorities for tackling fake news and improving media literacy
19:00 @ Conferencia "online" da Westminster Media Forum
06
Abr
International Journalism Festival 2022
10:00 @ Perúgia, Itália