Quinta-feira, 11 de Agosto, 2022
Evento

Para Anne Teresa, Prémio Helena Vaz da Silva, a “coreografia ensina a viver em harmonia”

A Fundação Calouste Gulbenkian voltou a acolher a cerimónia de entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído, este ano, à coreógrafa Anne Teresa De Keersmaeker.

A cerimónia, que contou com a moderação da secretária-geral da Europa Nostra, Sneška Quaedvlieg-Mihailovi?, foi, mais uma vez, transmitida em “lifestream”.

Este prémio europeu, instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI) recorda a jornalista, escritora, activista cultural e política portuguesa, Helena Vaz da Silva, bem como a sua contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus.

É atribuído, anualmente, a um cidadão europeu, cuja acção se destaca pela salvaguarda do património cultural, entendido no seu sentido mais amplo. Por isso mesmo, este ano, o júri do prémio concedeu, também, um Reconhecimento Especial à escritora e professora italiana, de origem arménia, Antonia Arslan.

Distinguida pela “sua contribuição” para a celebração do “Património Cultural europeu”, e pela capacidade de “difundir o vocabulário autêntico da dança [europeia] na América e na Ásia, Anne Teresa disse “sentir-se honrada por receber este prémio” e afirmou estar, permanentemente, à procura de uma definição para a função da coreografia no mundo.

Assim, a galardoada propôs que a coreografia fosse definida como a actividade de “organizar um grupo de pessoas, uma multidão", recordando que a covid-19 transpôs as características desta função artística para o dia-a-dia de todos os cidadãos.

“O que vimos nesta crise pandémica foi uma nova forma de coreografia. Estamos numa multidão, a executar uma ‘performance’ de procedimentos sanitários. Nesta coreografia, assistimos a uma desconfiança entre os corpos, à falta de toque, a rituais de monitorização”, afirmou.

Perante esta e outras calamidades contemporâneas, Anne Teresa disse acreditar que “a coreografia, talvez, tenha o potencial de oferecer mais do que conforto”, já que nos poderá ensinar a “desafiar a gravidade” e a “tomar decisões de forma imaginativa”, para que possamos viver em harmonia, “num mundo com tantas pessoas”.

Por sua vez, a escritora e professora Antonia Arslan --  que não esteve presente na cerimónia, mas que deixou uma mensagem de agradecimento -- elogiou a organização do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva “por incentivar os cidadãos europeus a reflectirem sobre a importância da  sua preciosa herança cultural”.


No arranque da entrega do prémio, Sneška Quaedvlieg-Mihailovi? começou por recordar o principal objectivo deste Prémio: “celebrar a Europa, a cultura e os valores que foram tão cruciais para a vida da extraordinária Helena Vaz da Silva”.

 

Já Guilherme de Oliveira Martins,  anfitrião da cerimónia,  na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, considerou que, ao distinguir o trabalho de Anne Teresa De Keersmaeker, o júri do galardão conseguiu valorizar um elemento que,  muitas vezes, não é referido no âmbito do património cultural: “ a capacidade criadora, de ligar os vários domínios da imaginação”.


Da mesma forma, a presidente do Centro Nacional de Cultura, Maria Calado, descreveu a laureada como “uma grande referência europeia e mundial, que tanto tem contribuído para a divulgação dos valores europeus, através da dança”.


Na sua intervenção, o presidente do Clube Português de Imprensa, Dinis de Abreu, lembrou Helena Vaz da Silva como alguém que deve estar inscrito ao lado “daqueles que lutaram e lutam, na Europa, pela sobrevivência das Artes, das Letras, da Ciência, ou do Jornalismo, e até da Fé, contra as fraquezas e permissividade dos mal-avisados, e como desafios permanentes que nos enriquecem e nos afastam das trevas”.


Dinis de Abreu salientou, depois, o trabalho de Anne Teresa enquanto “visionária da dança contemporânea, que nos convoca para o seu desassossego criativo, que é a essência do bailado moderno”.


O Presidente do CPI sublinhou, ainda, a ligação da coreógrafa com Lisboa, “onde criou uma peça para a Companhia Nacional de Bailado”, além de ter promovido “mais de uma dezena de espetáculos na capital e noutras cidades portuguesas”.


A ministra da Cultura, Graça Fonseca, esteve, também, presente, citando a coreógrafa como “um dos mais importantes nomes da dança contemporânea mundial”, que ao longo da sua carreira artística tem mantido uma “relação de proximidade com o nosso país”, e que, por isso, recebeu uma Medalha de Mérito Cultural, atribuída pelo governo português.


Apesar de não ter estado presente na cerimónia, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, deixou uma mensagem à laureada, reconhecendo ser um “admirador da carreira da artista e do seu exemplo extraordinário”.


O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também ausente por incompatibilidade de agenda, enviou uma mensagem de vídeo, na qual apontou Anne Teresa De Keersmaeker como uma das "coreógrafas de referência do nosso tempo”.


O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva conta, também, com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.


Reveja aqui a cerimónia

Connosco
A era digital e as alterações do conceito de jornalista Ver galeria

Com as vagas de desinformação que começaram a circular “online” nos últimos anos, passou a ser necessário partilhar, com eficácia e clareza, as definições de “notícia” e de “jornalista”, para que o público consiga acompanhar as profundas transformações do mundo mediático,  considerou Sabine Righetti num artigo publicado no“Observatório da Imprensa, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, explicou a autora, se, há dez anos, a produção noticiosa era um papel exclusivo do jornalista, que colaborava com títulos informativos, actualmente, qualquer um pode escrever um artigo, partilhando-o através das redes sociais.

Ou seja, hoje em dia, é preciso ressalvar que nem todo o utilizador da internet que partilha uma peça, de cariz informativo, pode ser considerado um jornalista. E que, por outro lado, nem todo o cidadão com actividade declarada como jornalística cumpre as normas deontológicas, confundindo-se, por vezes, com um activista.

Portanto, considera Righetti, há,  agora, uma hibridização do conceito.

Por isso mesmo, definir quem é, ou não, um jornalista, é uma tarefa cada vez mais difícil de concretizar, explicou a autora. Isto porque, já nem os documentos legais são considerados válidos, perante o panorama actual.

Neste âmbito,  Righetti recorda que, no Brasil, conceito de jornalismo foi definido  por um decreto, de Março de 1979, que instituiu que a profissão de jornalista compreendia actividades como “redacção, condensação, titulação, interpretação, correcção ou coordenação de informação a ser divulgada” ou “comentário ou crónica, a serem partilhados através de quaisquer veículos de comunicação”.

Além disso, naquela época, a “empresa jornalística” era um elemento central da actividade. O jornalismo, então, era tudo aquilo feito nos  “media” formais. 

E mais: o exercício da profissão de jornalista, de acordo com a legislação, exigia o registo prévio no Ministério do Trabalho, mediante a apresentação do comprovativo de nacionalidade brasileira, do  diploma de curso superior de jornalismo e da carteira de trabalho.

Em  2009, relembra a autora, o STF (Supremo Tribunal Federal) retirou a exigência do diploma para o exercício da profissão. Ainda assim, as empresas de jornalismo contratavam, na sua maioria, colaboradores especializados para fazer jornalismo.

Só que o jornalismo, continua Righetti, cada vez mais, começou a sair das “empresas jornalísticas” e ganhou outros espaços que a legislação das décadas de 1960 e 1970 jamais poderia ter previsto.


Os leitores de imprensa e o que procuram nos títulos informativos Ver galeria

Os leitores de notícias podem dividir-se em seis categorias, dependendo das suas necessidades e interesses, concluiu um relatório do “Financial Times”, citado pelo"Laboratório de Periodismo”,  cujas conclusões podem ajudar outros “media” a reter subscritores.

De acordo com o estudo, por norma, os cidadãos consultam os títulos informativos com um de seis objectivos: manterem-se actualizados, alargarem a sua contextualização sobre o mundo que os rodeia; educarem-se sobre um determinado tópico ou personalidade; divertirem-se através de artigos lúdicos ou actividades didácticas; inspirarem-se ao lerem histórias sobre alguém que superou adversidades; e seguirem as tendências do mundo ‘online’.

Assim, a fim de terem sucesso junto do público, explica o documento, os jornais devem identificar a categoria com a qual a maioria dos seus leitores se identifica, para que possam continuar a captar o seu interesse, gerando um maior número de subscrições e, consequentemente, mais receitas.

O “Financial Times” realizou esta experiência junto de três editoras distintas, ajudando-as a compreender aquilo que poderiam fazer para optimizar a interacção com o público.

A editora 1, por exemplo, concluiu que 40% dos artigos que produzia eram da categoria “actualize-me”, mas que estes geravam, apenas, 13% de visualizações de página. Por outro lado, os artigos da categoria “entretenimento” representavam 19% do total de artigos publicados, mas, geravam 43% das interacções.


O Clube



Este espaço do Clube Português de Imprensa vai fechar para férias durante o mês de Agosto.
É uma opção adoptada desde o lançamento do site em Novembro de 2016.
Recorde-se que o site se divide em três grandes áreas de conteúdos, com uma coluna de opinião a cargo de jornalistas e investigadores das Ciências de Comunicação, resumos informativos e propostas de reflexão sobre as grandes questões que se colocam hoje na paisagem mediática e à função jornalística.
O site do CPI conta, ainda, com as parcerias do Observatório de Imprensa do Brasil e da Asociacion de la Prensa de Madrid, dos quais publica regularmente trabalhos de análise em diferentes perspectivas, desde a ética profissional aos efeitos das mudanças tecnológicas.
O CPI, associação reconhecida de Utilidade Pública fundada em Dezembro de 1980, integra o Prémio Helena Vaz da Silva, instituído conjuntamente com o CNC-Centro Nacional de Cultura e Europa Nostra, e lançou em 2017 o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares.
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, cuja atribuição foi interrompida devido à pandemia, destina-se a jornalistas e à imprensa de língua portuguesa de todo o mundo, "em suporte papel ou digital", de acordo com o regulamento.

Ao concluir mais um ciclo de actividade do Clube e do site em particular, é muito gratificante saber que, apesar dos sobressaltos e das incertezas que afectam os media, o número de frequentadores habituais deste espaço tem vindo sempre a aumentar e a consolidar-se, designadamente, na sua visibilidade internacional, medida pela Google Analytics.

Aos associados, amigos e visitantes deste site o CPI deseja boas férias! E até Setembro.


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