null, 26 de Maio, 2019
Media

O poder dos caricaturistas de Imprensa é uma “arma de distracção maciça”

O jornal Le Monde organizou um debate sobre o poder do desenho de Imprensa, que teve o seu ponto alto numa mesa-redonda com quatro caricaturistas, animada por Plantu, por ocasião do décimo aniversário da associação Cartooning for Peace. O mesmo Plantu que esteve entre nós, em Lisboa, para receber o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, ex-aequo com Eduardo Lourenço, numa cerimónia que é apresentada noutro local deste site. O texto do Le Monde descreve a sua obra, em muitos países, como “um verdadeiro trabalho de resistência”: “Desde as fatwas lançadas contra os caricaturistas dinamarqueses em 2005, e depois das matanças de 2015, sabemos alguma coisa a esse respeito”.

Dos quatro caricaturistas que estiveram nesse debate em directo, no Anfiteatro da Opéra Bastille, em Setembro, três são mulheres:

A tunisina Nadia Khiari, que assina Willis, é autora de muitas crónicas sobre a “revolução de jasmim” e publica os seus desenhos no Siné Mensuel, Courrier International e Zellium. O número de leitores que seguem as suas crónicas de amargura subiu rapidamente a mais de 41 milhares. Entre outras distinções internacionais, recebeu em 2015 o Prix Agora Med du Dialogue Interculturel Méditerranéen

Firoozeh Mozaffari é iraniana, estudou desenho em Teerão e trabalhou em jornais como Shargh, Eternad, Farhikhtegan, e no site Khabaroline. Entre outros prémios pelo seu trabalho, faz parte de um grupo de quatro caricaturistas que foram distinguidos por Kofi Annan. Pertence ao comité executivo da Bienal Internacional de Desenho de Imprensa de Teerão, mas boicotou  este acontecimento aquando das violências que se seguiram às eleições presidenciais de 2009.

Louise Angelergues, que assina Louison, é francesa. Estudou nos Ateliers de Sèvres, em Paris, e revelou-se na revista Marianne, onde continua a trabalhar. Publica também no site de L’Obs, Voici.fr, a revista Cheek e Le Monde des Ados. Mantém um blog no Le Monde.

Michel Kichka, nascido na Bélgica, é um dos representantes mais conhecidos da caricatura israelita. Deixou os seus estudos de arquitectura para se fixar em Israel, onde trabalha como ilustrador, autor de BD e “cartoonista”. Colabora em vários canais de televisão israelitas e franceses e ensina Belas-Artes em Jerusalém.

O texto de apresentação deste debate, pelo Le Monde, descreve o poder dos caricaturistas como um poder de denúncia, de análise, de questionamento sobre a realidade e, frequentemente, um contra-poder. Em certos países, e em certos regimes autoritários, os caricaturistas fazem “um verdadeiro trabalho de resistência”.

“No entanto, como gosta de lembrar Kichka, o desenho de Imprensa, ao contrário das armas de destruição maciça, é uma arma de distracção maciça’... (...) Pelo exagero gráfico, o desenhador realiza um trabalho de jornalista: ele deforma a realidade para dizer a verdade. Barómetro da liberdade de expressão, alívio dos nossos males, o poder do desenho de Imprensa não será, antes de tudo, pacificador?” 

O texto de apresentação do Le Monde, que tornou também disponível o vídeo da mesa-redonda animada por Plantu

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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