Terça-feira, 7 de Abril, 2020

  

O essencial em jornalismo em tempo de pandemia

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A imprensa, em todo o mundo,  está a adaptar-se à nova realidade, desencadeada pela pandemia do coronavírus, e a trabalhar, maioritariamente, por via remota.


Os jornalistas parecem querer zelar pela saúde dos leitores e, nos “media” os avisos e as advertências repetem-se: ficar em casa para conter a disseminação do vírus, evitar aglomerados de pessoas, sair só em caso de emergência, ou para adquirir bens essenciais.

Ainda assim, alguns profissionais, nos Estados Unidos parecem não seguir a conduta que promovem, realizando reportagens no exterior e expondo-se à contaminação do vírus,  destaca Alexandria Nelson, num artigo publicado no “Columbia Journalism Review”

De acordo com a autora, os repórteres estão a pôr em causa a saúde pública,  deslocando-se, por exemplo, a praias para dar conta de cidadãos que não estão a cumprir as normas de isolamento. Os jornalistas querem, assim, distinguir-se dos restantes concidadãos. 

Jornal " A Bola" avança com "lay-off"...

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O jornal “A Bola”, diário desportivo que se distinguiu pela sua forte circulação, está a experimentar, também, dificuldades, decorrentes da crise originada pelo coronavírus. 

Assim, “A Bola”, vai avançar para um “lay-off” de 50 profissionais, incluindo jornalistas, gráficos e administrativos.

O director do jornal, Victor Serpa, considera que a situação actual da imprensa desportiva atingiu o ponto de “calamidade pública”. 

O jornal, como outros títulos da imprensa desportiva, enfrenta uma situação dilemática, provocada, desde logo, pela suspensão das competições, em particular o futebol.

... E jornal digital “Eco” pede donativos aos leitores

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A pandemia do novo coronavírus está a afectar todos os sectores da sociedade e os “media” estão a atravessar um período particularmente penoso, devido às quebras no investimento publicitário e à suspensão de outras fontes de receita.

Assim, muitos títulos e emissoras portuguesas enviaram pedidos de ajuda ao governo e aos leitores. O jornal “Eco” juntou-se, agora, a esse apelo colectivo.

“No Eco, o acesso às notícias (ainda) é livre, mas não é gratuito. Tem custos elevados, e exige investimento”, salientou António Costa, “publisher” do “site” de informação económica, numa “newsletter”. “Vamos precisar de si, caro leitor, para garantir que o Eco é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo rigoroso, credível, útil à sua decisão”.

“Mirror” dispensa mais de mil colaboradores

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No Reino Unido, a indústria “tablóide” está a ressentir-se dos efeitos da pandemia do Covid-19 nos “media”. Devido à quebra nas receitas publicitárias, o Grupo detentor do “Daily Mirror”, do “Daily Express” e do “Daily Star” viu-se forçado a suspender o contrato com mais de mil colaboradores, nos quais se incluem editores “senior”.

O Grupo, que emprega 4700 pessoas, suspendeu, igualmente, os “bónus” salariais e “cortou”, em 10%, o salário do “staff” que ainda se encontra activo.  Além disso, a administração solicitou debate para adiar os pagamentos do fundo de pensões. 

O regime prevê, ainda, que o pessoal com salários superiores a 40 mil libras esterlinas aceite uma redução salarial gradual, que varia entre 1% e 26%

O “New York Times” oferece assinaturas à comunidade escolar

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Nos Estados Unidos, muitas crianças encontram-se confinadas em casa, sem acesso a recursos escolares, visto que nem todas as escolas apostaram no desenvolvimento de ferramentas digitais de ensino. 

Perante este panorama, o “New York Times” decidiu oferecer assinaturas a todos os alunos e professores do ensino secundário, para que os estudantes continuem a informar-se sobre a realidade mundial, sem precisar de sair casa. 

"De 6 de Abril a 6 de Julho, alunos e professores poderão aceder online ao jornalismo do Times", afirmou Mark Thompson, CEO do jornal, em comunicado. "Isto significa que, mesmo enquanto estudam à distância, os alunos terão na ponta dos dedos um jornalismo profundo e especializado -- desde questões internacionais às artes e cultura, passando pela ciência, política e muito mais".

EUA limitam acesso de jornalistas a hospitais

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Nos Estados Unidos a divulgação de dados sobre o novo coronavírus está a ser limitada, e a imprensa encontra dificuldade em aceder a informação relevante, segundo um artigo de David Cullier, publicado no “NiemenLab”.

De uma forma geral, a comunicação entre os jornalistas e as autoridades sanitárias está limitada e a entrada nos hospitais, ao serviço do tratamento do vírus, foi proibida. 

Algumas instituições de ensino superior estão, mesmo, a filtrar informação sobre o novo coronavírus, alegando medidas de protecção anti-terrorista. O mesmo acontece nos Estados do Texas e da Flórida. Sob o mesmo pretexto, o FBI está a recusar pormenores na sua informação “online”. Os cidadãos que tiverem questões a colocar deverão fazê-lo por correio, de forma a evitar a intercepção de dados. 

UNESCO lança “workshop” “online” sobre liberdade de imprensa

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O actual panorama tem condicionado a liberdade de imprensa, levantando várias denúncias de censura e de repressão do trabalho jornalístico. Assim,  a UNESCO, em parceria com o Knight Center, lançou um “workshop” “online”, visando os juízes e magistrados que trabalham, directamente, nessa área.

Isto porque a pandemia forçou a sociedade,  a enfrentar, não só, os desafios na área da saúde e da economia, mas, igualmente,  a ultrapassar obstáculos à garantia dos direitos humanos. 

“Especialmente em situações de emergência, como a actual pandemia relacionada ao coronavírus, a tomada de decisões pelos diferentes actores do Estado tem de ser devidamente questionada, de forma a garantir a manutenção dos direitos fundamentais”, disse ao Centro Knight,Guilherme Canela, chefe da Secção de Liberdade de Expressão e Segurança dos Jornalistas da UNESCO.

Moncloa recua e levanta restrições aos jornalistas

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A Moncloa vai deixar de  “amordaçar” a imprensa. Depois da pressão exercida pelos “media”, o governo espanhol vai permitir que os jornalistas façam perguntas, por videochamada, durante as conferências de imprensa do primeiro-ministro Pedro Sánchez.

A decisão surge na sequência de uma denúncia conjunta de centenas jornalistas espanhóis, que se opuseram ao “modus operandi” das conferências de imprensa, controladas pelo Secretário de Estado da Comunicação, Miguel Angel Oliver.

Depois de a polémica se ter arrastado ao longo de várias semanas Oliver enviou, finalmente, uma nota às redações para informar que “a metodologia utilizada nas conferências de imprensa irá mudar”. 

O Governo garante, agora, que vai implementar um sistema seguro de videoconferência que terá rondas de perguntas. A selecção das questões será concretizada por um “mecanismo aleatório, público e verificável”.

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O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

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Opinião
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