Sexta-feira, 21 de Junho, 2019

  

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve"

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O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Para Francisco George Portugal é confrontado com "duplo envelhecimento"

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Portugal está confrontado com uma situação demográfica de “duplo envelhecimento, na base e no topo”, que é “motivo de grande preocupação”. Temos uma taxa de natalidade das mais baixas na União Europeia, com pouco mais de oito crianças por cada mil habitantes, e um milhão de portugueses com 75 e mais anos, “dos quais 330 mil têm 85 e mais anos”.

Foi por este lado, da população existente e prevista, que o orador convidado do ciclo "Portugal: que País vai a votos?", o médico Francisco George, especialista em Saúde Pública e actual presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, iniciou a sua palestra, no ciclo promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Este “crescimento negativo”, em que temos, todos os anos, mais óbitos do que nascimentos, contrasta com “a elevada posição que ocupamos, em Saúde materno-infantil, na protecção da mãe e da criança, que é muito superior à que ocupamos na Economia”, num lugar cimeiro “entre os três primeiros países da Europa”.

Quando notícias antigas servem para intoxicação nas redes sociais

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Um dos procedimentos mais vulgares, na intoxicação que se pratica nas redes sociais, é o de reproduzir imagens, ou mesmo texto de notícia, de factos ocorridos há mais tempo, sem indicação de data. O leitor desprevenido pode indignar-se, ou ser enganado, por citações tiradas da "hemeroteca" da Internet como se fossem notícias actuais.

Para contrariar este aproveitamento incorrecto, o diário britânico The Guardian passou a incluir a data das suas notícias em lugar bem visível, quando os conteúdos são reproduzidos pelas redes sociais. A história do exemplo concreto que levou a esta medida é contada em artigo publicado na Columbia Journalism Review.

"Conteúdo patrocinado" não pode ser feito por jornalistas

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A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista declara, na sequência de pedidos de informação que lhe foram dirigidos, ter conhecimento da “pressão a que muitos jornalistas, com carteira profissional, estão a ser sujeitos a produzir conteúdos patrocinados na forma de notícias, reportagens, entrevistas e outros géneros jornalísticos”.

Em comunicado intitulado “Recomendação sobre conteúdos patrocinados”, a CCPJ esclarece que o “jornalismo patrocinado” é expressamente proibido pelo Estatuto do Jornalista e que o jornalista que participe na sua concepção ou apresentação incorre  numa contraordenação “punível com coima”, podendo ainda ser objecto de “interdição do exercício da profissão por um período máximo de 12 meses, tendo em conta a sua gravidade e a culpa do agente”.

Lançamento da Rádio Observador aguarda "visto" da ERC

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A Rádio Observador, que estava prometida para a festa do quinto aniversário do referido jornal online, realizada a 22 de Maio, não foi ainda apresentada em funcionamento. Segundo uma pequena notícia na edição do dia seguinte, inserida no contexto da entrevista com o Presidente, “vai começar a emitir em breve e promete complementar o melhor do Observador num novo meio de comunicação”.

O ponto alto da festa foi a presença e intervenção do Presidente da República, que respondeu a perguntas dos leitores premium do jornal, seleccionadas internamente e colocadas a Marcelo Rebelo de Sousa pelo publisher do Observador, José Manuel Fernandes.

"Robots" falseiam resultado de concurso de TV russa

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Centenas de robots informáticos foram usados para manipular a votação final do concurso “A Voz Kids”, na Rússia, para dar o primeiro lugar à neta de um oligarca. A prova, em que jovens talentosos competem por um lugar na equipa de cada membro do júri, geralmente artistas conhecidos, foi viciada por milhares de chamadas telefónicas e mensagens SMS enviadas em apoio de uma menina de dez anos, filha de uma estrela pop e neta de um oligarca. O Canal 1, que exibe o concurso, teve de anular os resultados.

Uma série de eliminatórias vai reduzindo o número das crianças concorrentes, desde uma primeira em que o júri, de costas, não vê mas escuta a voz de quem canta, até uma final em que é o público a escolher entre as chegaram a esse ponto. Desta vez foram robots.

Jornalistas russos despedidos geram solidariedade

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O despedimento de dois jornalistas da editoria de Política do jornal russo Kommersant, imposta pelo seu actual proprietário, causou a pronta demissão voluntária dos outros onze profissionais da mesma secção e uma carta de protesto de 120 trabalhadores, que denuncia a medida tomada como “uma manifestação aberta de pressão sobre a liberdade de expressão”. O dirigente político de oposição Dmitri Goudkov declarou que se trata de “uma violação directa da nossa Constituição, que proibe a censura”.

Segundo Le Monde, que aqui citamos, os dois jornalistas despedidos, Ivan Safronov e Maxime Ivanov, “tinham ousado escrever sobre os jogos de poder nos bastidores do Kremlin”, nas páginas do Kommersant, o que provocou a ira do seu proprietário, o oligarca Alicher Ousmanov, “considerado próximo do poder”. Mas este gesto desencadeou “uma surpreendente cadeia de solidariedade na redacção”.

Vídeo sobre Holocausto suspende jornalistas na Al-Jazeera

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A Al-Jazeera suspendeu dois jornalistas por terem publicado um vídeo que sugere que os judeus usaram o seu alegado controlo dos media e de instituições académicas e financeiras para exagerarem as dimensões do Holocausto. O referido clip, divulgado pela rede social AJ+, descreve a morte de seis milhões de judeus pelos nazis como uma “narrativa” que foi “adoptada pelo movimento sionista”, enfatizando que Adolfo Hitler perseguiu muitos outros grupos.

Segundo o diário britânico The Guardian, que aqui citamos, o vídeo foi editado com a legenda  - “As câmaras de gás mataram milhões de judeus... Assim conta a história. Até que ponto é verdadeiro o #Holocausto  e de que modo beneficiaram dele os sionistas?”

A Al-Jazeera declarou ter removido o clip, afirmando:
“O conteúdo do vídeo e os posts que o acompanhavam foram rapidamente apagados pela direcção superior da AJ+, de todas as páginas da AJ+ e contas nas redes sociais, porque infringem as normas editoriais da rede.”

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O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
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