Segunda-feira, 22 de Abril, 2019

  

Alfabetização mediática antes que a Internet mate a democracia

Estudo Galeria

A visão que havia nos primórdios da Internet, de que uma informação mais disponível, criada e compartilhada por todos, tornaria o ambiente “mais informado, politizado e racional”, revelou-se “ingénua”. Na maioria das novas tecnologias, “são as pessoas mais radicais, marginais e até criminosas, que primeiro aprendem as suas possibilidades”.

Os extremistas políticos foram para as redes sociais “porque são determinados e não tinham outra forma” de espalhar a sua mensagem. Além disso, como damos às empresas tecnológicas os nossos dados, “elas tornam essas plataformas ambientes viciantes, para que fiquemos mais tempo lá, fornecendo ainda mais dados; e a nossa tendência é ‘clicar’ naquilo que for mais extremo, radical, inacreditável, pessoal”. (...)

A consequência é que “todos nos tornamos mais radicais; (...) quando entramos nessas plataformas, gritamos uns com os outros, discutimos sobre coisas pequenas, discordamos sem ao menos escutar o outro lado”. (...) “E o resultado é que nos tornamos mais extremos.”

A reflexão é do jornalista e investigador Jamie Bartlett, autor do livro The people vs tech: How the Internet is killing democracy and how we save it  [“O povo vs a tecnologia: como a Internet está matando a democracia  - e como podemos salvá-la”], em tradução livre). No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Retaliações contra jornalistas dos “Panama Papers”

Media Galeria

Três anos depois da divulgação dos Panama Papers, alguma coisa aconteceu. Houve demissões de responsáveis políticos em 8% dos países apontados, e num terço deles houve ainda pelo menos uma instância de processo levantado contra uma pessoa ou empresa implicada no escândalo. Quase metade tomaram medidas subsequentes de investigação e inquérito.

Mas também vimos o efeito de ricochete. Houve medidas de retaliação contra jornalistas que tinham participado no esforço de investigação cooperativa em 17% desses países, sobretudo aqueles em que a liberdade de Imprensa já era fraca. Um caso conhecido é o do assassínio da jornalista Daphne Caruana Galizia, de Malta, em Outubro de 2017; e outro o do eslovaco Jan Kuciak, em Fevereiro de 2018.

A informação é de um estudo agora divulgado pelo Instituto Reuters, considerado “a primeira avaliação abrangente dos impactos de uma colaboração global de reportagem”.

Pedro Lucas na "Volta ao Mundo"

Breves

A revista Volta ao Mundo, tem a partir de agora como director Pedro Lucas, que acumula quatro títulos do Global Media Group sob a sua direcção. Na altura em que assinala  o seu 25º aniversário, a Volta ao Mundo acompanha a mudança de direcção com uma reformulação gráfica. O novo director assegura que se trata de “uma revista totalmente renovada e modernizada em termos gráficos e editoriais”, antecipando “novas secções, colaboradores, mais interactividade e diferentes tipos de reportagem”.

Em defesa do "slow journalism" para assegurar mais tempo ao leitor

Media Galeria

A verdade é que não fomos feitos para absorver tanta informação. Um número crescente de leitores ressente-se do consumo excessivo de conteúdos e da “sobrecarga” de noticiário.
“News is noise” [as notícias são ruído] é o diagnóstico do estado a que chegámos, neste ponto da revolução digital  - e há uma série de novos media voltados para o chamado jornalismo lento, “digerível”, assente mais na reflexão do que na reacção.

Uma proporção significativa dos actuais leitores “sente-se esgotada pela quantidade de notícias” a que é hoje exposta, segundo informação preliminar do próximo Digital News Report do Instituto Reuters, ainda não divulgado. Por troca do conhecido acrónimo FOMO – fear of missing out [corrente entre os “viciados” nas redes sociais], já está em voga o JOMO – joy of missing out.
O que significa assumir “a alegria de perder alguma coisa”, em vez do “medo de perder alguma coisa”, ou “ficar de fora”...

Mas será que a tartaruga do slow journalism vai mesmo conseguir ganhar a corrida contra a lebre? É esta a reflexão  - e a pergunta -  do jornalista Benjamin Bathke, no NiemanLab.

A regra do "não" faz capa na Imprensa britânica

Media Galeria

No dia seguinte à “rajada” de oito tiros sobre as chamadas soluções alternativas propostas pelo próprio Parlamento ao Brexit de Theresa May, a Imprensa britânica não se recompõe do choque. Foi dito “não” oito vezes seguidas, como transcreve a primeira página do diário The Guardian. Desta vez de modo “claro, nítido e preciso”, portanto ao contrário das “muitas idas e vindas” dos eleitos sobre o Brexit  - como comenta o editorial, aqui citado pelo jornal francês L’Express, que publica uma galeria das principais manchetes.

A imagem de Theresa May aparece em todas, e em sete jornais é a mesma imagem, obtida na meia obscuridade do interior da viatura oficial.

João Vieira Pereira sobe a director do “Expresso”

Media Galeria

João Vieira Pereira, que foi director-adjunto do Expresso, sobe ao lugar de director, na recomposição da equipa que se esperava desde a saída de Pedro Santos Guerreiro. A nova direcção, agora escolhida pela administração do Grupo Impresa, mantém os mesmos nomes noutros lugares, à exepção de David Dinis, que entra para o cargo de director-adjunto, como “número dois” do director.

Paula Santos, até agora editora-executiva, Martim Silva, antes director-executivo, Miguel Cadete, até aqui director-adjunto, e Marco Grieco, director de arte, são os restantes elementos da nova direcção do Expresso.

Televisão espanhola condenada por uso de câmara oculta

Fórum Galeria

No cumprimento da sua missão de vigilante dos abusos de todos os poderes  - e de todos os protagonistas -  o jornalismo tem de prestar atenção à possibilidade de ser ele mesmo considerado abusador. A questão tornou-se muito aguda com os chamados hackers  éticos, que tornam públicas informações que os Estados, os bancos, as empresas, ou apenas milhares de cidadãos iguais a eles, preferiam manter guardadas; serão sempre considerados whistleblowers (denunciantes cívicos) por uns, e meros piratas informáticos por outros.

Há situações mais simples, a nível do jornalismo de investigação, mas que entram também neste debate. Há pouco tempo, em Espanha, dois jornalistas da televisão espanhola Antena 3 usaram uma câmara oculta para expor os procedimentos menos terapêuticos de um suposto autor de curas. O Tribunal de primeira instância deu-lhes razão, em nome da liberdade de informação. Mas o caso subiu ao Tribunal Constitucional, que acabou por multar a estação “por intromissão ilegítima nos direitos fundamentais à intimidade pessoal e à própria imagem”.
A história vem contada na Red Ética, da FNPI – Fundación para el Nuevo Periodismo Iberoamericano.

Como fomentar na juventude o gosto pela leitura crítica da Imprensa

Evento Galeria

Centenas de estudantes entre os 14 e os 17 anos, dos estabelecimentos de ensino da Comunidad de Madrid, estão a participar na 11ª edição dos seminários de “Fomento da Leitura de Imprensa na Escola”, um projecto da APM – Asociación de la Prensa de Madrid com a Obra Social ‘la Caixa’. O tema deste ano é como distinguir uma informação autêntica de uma falsa, ou de um boato, nos meios de comunicação.

Na jornada inaugural, realizada no Instituto San Isidro, a Presidente da APM, Victoria Prego, sublinhou a necessidade de uma “atitude crítica” perante o que é publicado, exortando os alunos presentes a manterem uma “consciência autodefensiva” em relação ao que lhes chega pelo telemóvel, “porque nem tudo é verdade”.

“A Informação é a armadura que vestem os cidadãos nas democracias livres”  - afirmou.

« ... 3  4  5  6  7  8  9  10  11  ... »
  
PESQUISA AVANÇADA
PESQUISAR POR DATA
PESQUISAR POR CATEGORIA
PESQUISAR POR PALAVRA-CHAVE

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
Assange e o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
O caso Assange dura há quase sete anos. Agora, com a sua expulsão da embaixada do Equador em Londres e consequente prisão pela polícia britânica, o caso entrou numa nova fase. É possível que Assange venha a ser extraditado para os Estados Unidos (o que ele não quer) ou para a Suécia (o que ele agora prefere, embora tenha recusado essa possibilidade há sete anos).  Também se fala muito da mudança do poder...
Muitos responsáveis pela comunicação e marketing de várias marcas defrontam-se quotidianamente com um dilema: será que ainda vale a pena fazer publicidade em televisão? O investimento ainda compensa? A dúvida é legítima – mas antes de mais nada é preciso definir bem o objectivo e o alvo da campanha. Uma coisa é anunciar para jovens urbanos até aos 25 anos, outra é para responsáveis de compras...
A realidade choca. Um trabalho de investigação jornalística, publicado no Expresso,  apurou que Portugal tem 95 políticos a comentar nos media. É algo absolutamente inédito em qualquer parte do mundo, da Europa aos EUA. Nalguma coisa teríamos de ser inovadores, infelizmente, da pior maneira. É um “assalto”, que condiciona a opinião pública e constitui um simulacro de pluralismo, já que  o elenco...
Augusto Cid, uma obra quase monumental
António Gomes de Almeida
Com o falecimento de Augusto Cid, desaparece um dos mais conhecidos desenhadores de Humor portugueses, com uma obra que pode considerar-se quase monumental. Desenhou milhares de cartoons, fez livros, e até teve a suprema honra de ver parte da sua obra apreendida – depois do 25 de Abril (!) – e tornou-se conhecido, entre outras, por estas duas razões: pelas piadas sibilinas lançadas contra o general Ramalho Eanes, e por fazer parte do combativo grupo das...
Jornalismo a meia-haste
Graça Franco
Atropelados pela ditadura do entretenimento, podemos enquanto “informadores” desde já colocar a bandeira a meia-haste. O jornalismo não está a morrer. Está a cometer suicídio em direto. Temi que algum jornalista se oferecesse para partilhar a cadeia com Armando Vara, só para ver como este se sentia “já lá dentro”. A porta ia-se fechando, em câmara lenta, e o enxame de microfones não largava a presa. O...